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segunda-feira, 30 de março de 2015

Ataques ao irmão do governador

Se Roseana for julgada, condenada e presa, não terá sido por ingerência do subprocurador Nicolao Dino, que jamais atuou na Operação Lava Jato.

JM Cunha Santos



É provável que os problemas de Roseana Sarney com a polícia não se esgotem na investigação do recebimento de propina da UTC-Constran, conforme denúncia de AlbertoYoussef e Meire Poza e na acusação de que sua campanha em 2010 foi turbinada com R$ 2 milhões do vultoso esquema de propinas da Petrobrás, a pedido do senador Edison Lobão, conforme lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em se tratando do escândalo da Petrobras ninguém sabe o que ainda pode vir por aí.
O fato é que a governadora Roseana Sarney e seus prepostos parecem atolados até o pescoço nesse esquema que já mandou muita gente boa para a cadeia. E Sarney quer vingança. Talvez ache que se Flávio Dino não tivesse vencido a eleição seria muito mais fácil abafar tudo, impedir a investigação de sua filha, matar no nascedouro esse processo, conforme matou o processo contra Fernando Sarney que teve origem na Operação Faktor, da Polícia Federal, convenientemente apelidada de Operação Boi Barrica.
Sarney vigia, escarafuncha, dia e noite, os atos do governo Flávio Dino, inventa e reinventa, mas nada encontra que possa aplacar sua desviada e nada virtuosa sede de vingança. A corrupção no governo do Maranhão acabou, acabou o tráfico de influência, acabaram-se as propinas, não há mais quem nem onde corromper. E a única saída que o caudilho vencido encontra é atacar a família do governador. Ataca o sub-procurador Nicolao Dino, concursado, não nomeado e sem qualquer mancha em sua folha funcional. E o ódio de Sarney por juízes, nos dias de hoje, porque realmente atuam contra todas as formas de corrupção, se torna exasperante, mesmo que natural.
Pior para Sarney é que ele estava acostumado a lidar com beócios incapazes de entender as leis e covardes que, na política, tremiam à simples menção de seu nome. Agora é diferente. As respostas do governador são fulminantes:
“Por conta da Operação Lava Jato, a mais nova obsessão de Sarney é perseguir meu irmão, Nicolao, por ser sub-procurador da República”.
“Meu irmão não atua na “Operação Lava Jato”. Sarney sabe disso. Mas quer encontrar um “culpado” para problemas de sua filha com a polícia”.
“Meu irmão tem uma carreira limpa e honrada, derivada de concurso público e de promoção por mérito. Difícil Sarney entender o que é isso”.
“Os problemas do Sr. Sarney com Paulo Roberto Costa e com Youssef estão sendo apurados pela polícia. Meu irmão nada tem com isso”.
E o governador está certo. Se Roseana for julgada, condenada e presa não terá sido por culpa do sub-procurador Nicolao Dino, que jamais atuou na Operação Lava Jato. Será por culpa única e exclusiva de seus próprios atos e conseqüência de mais uma brilhante investigação da Polícia Federal.

E de um processo que, desta feita, Sarney não está conseguindo anular. 

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