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sábado, 7 de março de 2015

O CHEFE DO PETROLÃO

JM Cunha Santos



A complexa organização criminosa que assaltou a Petrobras deve ter um chefe. Tem que ter um chefe. Talvez que até agora essa seja a única falha da irretocável “Operação Lava Jato”. Descobriram tudo: onde foi roubado, quanto foi roubado, quanto coube a cada um na partilha do roubo, o que já foi gasto, o que ainda está intocado, os esconderijos da quadrilha, tudo; só não encontraram... o Chefe.
Porque quadrilha sem chefe, convenhamos, não existe. Pode até ser que exista chefe sem quadrilha, mas a recíproca jamais será verdadeira. Mesmo nas prolongadas novelas de mistério, nem que seja no último capítulo, a polícia acaba descobrindo quem é o chefe. E é quase sempre a pessoa que menos se imagina, alguém acima de qualquer suspeita, cuja honradez não pode ser posta em dúvida. No Mensalão brasileiro, por exemplo, conforme a própria polícia, o chefe, o mentor intelectual, era o José Dirceu. Mas no caso da corrupção na Petrobras tem assaltante sobrando; chefe que é bom, nada.
Tem chefe do tráfico, tem chefe do Mensalão, tem chefe da máfia siciliana, tem chefe das quadrilhas de assaltantes de bancos, de saidinhas bancárias, nas orcrims da internet. Toda quadrilha tem chefe. Só não se encontrou chefe no Petrolão.
E o Petrolão precisa de um chefe. Se ele não aparecer até o final das investigações, seria uma boa idéia fazer um concurso para chefe da quadrilha. Com inscrições limitadas somente para os que estão presos e os que ainda vão ser. Se ninguém for aprovado, o chefe pode ser nomeado, já que foi a partir de nomeações para altos cargos na República que a quadrilha se formou.
O fato é que a quadrilha precisa de um chefe. Para que se saiba como tudo foi organizado, para que esse gênio do crime não seja alijado da História, para que fique tão famoso quanto Al Capone nos EUA, Barrabás no mundo bíblico, Robin Hood na Inglaterra. Àrsene Lupin e Rocambole em Paris.
É uma questão de Justiça poética. Ninguém pode ser tão genialmente ladrão sem que dele possam se ocupar os grandes escritores, sem que possam os gênios da literatura contar sua verdadeira História.
E nem me perguntem se eu sei quem é esse misterioso chefe do Petrolão.

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