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terça-feira, 10 de março de 2015

Se Roseana e Lobão forem presos, como fica a oposição no Estado?

JM Cunha Santos

Roseana Sarney e Lobão

Talvez poucos tenham atentado para o fato de que a ausência de oposição não é saudável a nenhuma democracia. Mas, depois de quase 50 anos de dinastia e autoritarismo, parece ser esse o caminho que se desenha para o Maranhão. Sarney está velho, sem votos e sem mandato, a ex-governadora virou caso de polícia e o senador Edison Lobão está sendo citado na grande imprensa como chefe do maior esquema de corrupção da história do país. Mesmo hoje, nenhum deles tem autoridade moral nem eleitoral para liderar uma oposição ao governo Flávio Dino.
Na Assembleia, capitalistas de carteirinha e sarneisistas imaculados estão mudando de lado nesta que talvez seja a mais virulenta metamorfose política da história do Brasil. Até os verborrágicos sarnopetistas já estão engomando os paletós e comprando gravatas novas para voltar a roçar os cofres públicos. De oposição mesmo, sobraram os deputados Andrea Murad e Adriano Sarney. São dois contra todo mundo; os dois muito jovens, muito inexperientes e marcados pelos sobrenomes da oligarquia que caiu.
Nesse quadro, faltará ao Maranhão, se já não está faltando, a diversidade da cultura política. Em se tratando de representatividade, pior ainda. Os partidos à esquerda do governo Flávio Dino, a exemplo do PSTU e PSOL, não elegeram sequer um parlamentar, ou seja, vão estar fora do visor da sociedade até as próximas eleições.
Enquanto o governador Flávio Dino constrói a melhor imagem de um político até hoje no Estado, através de uma poderosa e desconhecida política de inclusão social e mostrando determinação no combate a desvios de finalidade e de conduta, o povo discute nas ruas as probabilidades de Roseana ir parar na cadeia ou não.
E esse é o sorumbático fim das últimas lideranças que restavam ao modelo político que, em boa hora, o povo maranhense demoliu e enterrou.
Por outro lado, os evidentes esforços do atual governo para vencer a violência, combater o crime organizado, mandar investigar agiotas, ajudar a Prefeitura de São Luís, melhorar o IDH do Maranhão, acionar na Justiça empresas que foram pagas e não cumpriram contratos com o Estado, soam para este povo como alguma coisa no estilo “o impossível acontece”. E cresce, assim, a perder de vista, a popularidade de um governador que, para deixar qualquer oposição sem guarida, ainda demonstra ter cada vez mais prestígio junto ao Governo Federal.
Aos que esperam que entre os deputados federais surja alguém capaz de liderar a oposição, contrapõe-se um argumento histórico: as elites políticas maranhenses não se acostumaram a viver longe do poder e quase sempre agiram com servilismo durante o cinquentenário de José Sarney. Dificilmente vão conseguir ser oposição. No mínimo, vão fazer tudo para não ser.
Como, a julgar pela política traçada hoje, a reeleição de Flávio Dino em 2018 parece fato irrevogável e as baixezas administrativas cometidas estão se voltando agora, qual um tsunami, contra o grupo Sarney, não vai sobrar muita gente para liderar qualquer oposição.

Uma situação que se tornará muito mais consistente se Lobão e Roseana acabarem presos pela Polícia Federal.

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