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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Demissões em massa ameaçam obras da Olimpíada



O ajuste fiscal está chegando a obras públicas importantes. Empresas responsáveis pela construção do Complexo Esportivo de Deodoro estão desmobilizando a obra. Elas alegam falta de repasses da Caixa Econômica Federal, que financia as construções. Nesta quarta-feira, 550 funcionários receberam aviso prévio - o que representa quase metade dos operários da obra.
A partir da próxima semana, o restante da equipe, formada por operários em fase de experiência, também começará a deixar o canteiro. A expectativa é de que a obra possa parar nos próximos trinta dias. A reportagem teve acesso à ata da reunião em que o consórcio comunicou sua decisão à Prefeitura do Rio de Janeiro, ao Ministério dos Esportes e à Caixa, entre outras entidades.
Nesta quinta-feira, outros 450 operários de um total de 700 que constroem o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista também receberão aviso prévio. A obra é realizada pelo governo do Estado de São Paulo.
O consórcio do Deodoro é composto por Queiroz Galvão e OAS. Já o do VLT é formado pela Queiroz Galvão e pela Trail Infraestrutura A Caixa, responsável pelo financiamento das obras, não vem transferindo o dinheiro para a prefeitura e para o governo estadual. O contrato do Complexo de Deodoro foi assinado em agosto e, desde então, foi feito apenas um pagamento. Quase 80 milhões de reais ainda não foram repassados ao consórcio.
O complexo será palco de 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas durante os Jogos de 2016. O atraso na licitação do projeto, cujas obras começaram só em julho do ano passado, foi motivo de preocupação constante do Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Já no VLT da Baixada Santista, as transferências foram interrompidas em outubro do ano passado e os repasses atrasados já somam cerca de 30 milhões de reais.
A Caixa vem postergando sucessivamente os pagamentos, sem explicar as razões. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o banco confirmou que não faz repasses para os consórcios responsáveis pelas obras, mas para a prefeitura do Rio e o governo do Estado de São Paulo. Em nota, informou que "existem recursos disponíveis para liberação na conta" dos dois empreendimentos.
E reiterou: "Das medições apresentadas, todas as etapas de obra estão com documentação regulamentar (projetos analisados, orçamentos, cronogramas e medições) e tiveram suas liberações de recursos efetuadas. Para as etapas de obras que tiveram projetos alterados, a Caixa aguarda a regularização da documentação para que possa analisar e liberar os recursos."
As construtoras Queiroz Galvão e OAS são investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O contingenciamento dos recursos, no entnto, estaria ligado à necessidade do governo de fazer o ajuste fiscal e não à operação da PF. Especialistas em contabilidade pública afirmam que boa parte da economia do governo terá de vir de corte de investimentos em obras públicas como essas.

(Com Estadão Conteúdo)

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