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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Justiça coloca tudo quanto é ladrão da Petrobrás em liberdade de uma só vez

JM Cunha Santos


Não demorou muito. O Supremo Tribunal Federal colocou em liberdade os executivos milionários que se organizaram no “Clube do Bilhão” para roubar e quase levaram à bancarrota a Petrobrás. Cumpre-se, mais uma vez, o vaticínio do dito popular: “Cadeia, no Brasil, foi feita só para pobres e para pretos”. Nove executivos que corrompiam agentes públicos e eram por eles corrompidos estão livres da prisão, provavelmente para sempre.
Não são ladrões comuns, são ladrões especiais. Não vão ficar atrás das grades. Vão para casa, para o convívio dos familiares, gozar os prazeres permitidos pelos bilhões que assaltaram ao povo brasileiro. Livres, deles será dispensável a delação premiada, o que significa que se eles não vão ficar presos, menos ainda qualquer um dos políticos e autoridades que poderiam delatar. Não vão estar atrás das grades. Vão usar tornozeleiras eletrônicas. Braceletes. Braceletes que mais tarde seus advogados podem até exigir, para que não destoem de sua condição social, que sejam de ouro ou de diamante.
E, nem sei porque, isso me traz à lembrança outros ladrões, que apanham da polícia, amargam anos a fio em prisões infectas e até são linchados em praça pública. E alguns deles menores de idade. Porque é da tradição da Justiça brasileira ser condescendente com a corrupção. Porque é a corrupção um crime que à primeira vista não parece cruel. Mas é.
É a corrupção que no caminho da escola toma o lanche de seu filho.
É a corrupção que deixa seu filho sem escola.
É a corrupção que deixa seu filho sem tratamento médico.
É a corrupção que mata seu filho de fome e à falta de remédios.
É a corrupção a maior responsável pelo alto índice de mortalidade materna e mortalidade infantil.
É a corrupção que deixa o trabalhador sem dinheiro para pagar passagem, que faz faltar o pão pela manhã, que esvazia a mesa de vitaminas e nutrientes.
É a corrupção a grande responsável pelo desemprego, que fabrica assaltantes, traficantes e, assim, patrocina a onda de violência no país.
A corrupção mata seus sonhos, enforca seu futuro, esbandalha seu presente e tortura seu passado.
Corrupção não é roubo apenas; não é somente homicídio; é genocídio calculado, premeditado.
A corrupção enche os cemitérios de inocentes para que alguns poucos vivam no Paraíso.

Mas a corrupção não parece ser crime, não é tratada como crime. Não neste país.

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