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sábado, 4 de abril de 2015

O solitário banho de sol de Lobão

JM Cunha Santos


Bem que a gente desconfiava. Sarney nem esperou o final das manifestações, nem sequer considerou os resultados das pesquisas e já estava lá, de braços dados, jurando solidariedade a Dilma Roussef, conselheiro mor de um desgaste político que só ele mesmo conheceu. Dilma nem perguntou se, hoje, ele ainda votaria em Aécio Neves. Tudo o que ela quer é o PMDB de volta.
Em meio ao turbulento processo oriundo das investigações da Operação Lava Jato contra Roseana Sarney, Edison Lobão e outros citados na lista do Janot, Sarney emplacou um ministro no STJ. Se não lembram, é o mesmo tribunal que arquivou o processo oriundo da Operação Boi Barrica contra Fernando Sarney. Nada contra o novo ministro, mas de decisões insípidas de tribunais superiores, como o arquivamento do processo contra Fernando e a cassação do Dr. Jackson Lago, o maranhense está cheio e calejado.
É. O novo ministro do STJ, Reynaldo Soares Fonseca, é um maranhense de reconhecida passagem pelo Tribunal Federal de Recursos que atuava no Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e vários outros estados do Nordeste. O Maranhão, se ainda lembram, fica no Nordeste, região que votava em peso em Dilma Roussef, mas que hoje não votaria de jeito nenhum.
Segundo a Folha de São Paulo, o Dr. Reynaldo foi escolhido por indicação de Sarney. E já há quem insinue que a nomeação do novo ministro das Comunicações, Edinho Silva é, no mínimo, proveitosa para as intenções da velha raposa do PMDB.
Sarney se aproveita do antológico fracasso do governo do PT para voltar à cena política e proteger os seus. Não há mais movimento do Palácio do Planalto, em busca de resgatar a popularidade do governo, em que o caudilho não apareça cochichando nos ouvidos de alguém alguma coisa que ninguém sabe o que é, mas que provavelmente, de alguma forma e como sempre, pode prejudicar o Maranhão.
Assim, Edison Lobão deve preparar o espírito para tomar banho de sol sem companhias de primeiro escalão, como Roseana Sarney e o nunca mais falado João Abreu. E isso é terrível. Um senador da República cercado de executivos de empreiteiras denunciados, constrangidos, demitidos e condenados, é demais para a saúde de qualquer senador magrela.
Os que achavam que Roseana ia propor delação premiada na Justiça devem considerar, desde logo, a hipótese do arquivamento de seu processo pelo motivo de sempre: falta de provas. Sempre faltaram provas contra a família Sarney. Com Roseana, não pode ser diferente.

Lobão, ao que parece, vai tomar banho de sol sozinho. 

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