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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Passado, presente e futuro

Editorial JP, 13 de maio

Mesmo para o impagável Albert Einstein, para quem “a distinção entre presente, passado e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”, talvez fosse impossível separar o Maranhão do passado do Maranhão do presente e do futuro em termos de ação política. O que vivemos por aqui foi o descontrole mais completo da máquina pública, guiada ao Deus dará por mãos em geral desonestas e desobedientes aos princípios básicos da administração.
Temos lido e ouvido manifestações de alguns que acham que o atual governo deve esquecer as mazelas que herdou do governo Roseana Sarney e apenas  pensar o Maranhão daqui para a frente como se nada houvesse acontecido. Primeiro, apagar a História é um ato de covardia com qualquer povo; segundo, neste passado tão recente e tão longo estão as razões da pobreza absoluta, do abandono da juventude e da infância; terceiro, se esse passado não passasse seria por demais desastroso o futuro desse Estado.
A violência que ainda hoje grassa em São Luís é fruto e consequência desse passado. A falta de capacitação da mão de obra maranhense, principalmente dos jovens, é consequência dos descalabros e do pouco caso com a educação no Estado. Terceirizações criminosas ensinaram ao crime organizado que ele podia ter o controle do Sistema Penitenciário do Maranhão. O êxodo rural que inchou as grandes cidades tem origem na leniência com que o Estado tratou a grilagem, a especulação imobiliária e a ação devastadora das monoculturas subsidiadas.
Esse passado marcou o Maranhão de licitações fraudulentas, superfaturamentos e um verdadeiro congestionamento de desvios de recursos públicos em todas as direções, praticamente todas as Secretarias. O dinheiro do povo foi negociado com a agiotagem e a falta de autoridade, porque também as autoridades estavam comprometidas, confiscou ao Estado o poder de punir o crime de colarinho branco. O Maranhão viveu isso em terras sem escolas, sem hospitais, sem ensino médio, sem ensino profissionalizante e querem alguns filósofos do futurismo que a sujeira desse passado seja atirada para debaixo dos tapetes.
O Maranhão viveu isso na condição de estado mais pobre da Federação e se tornou sinônimo incorrigível de vergonha com passagens quase diárias pelas páginas policiais dos principais órgãos de imprensa do país. O passado construiu um futuro de torpezas e alienação, de analfabetismo e analfabetismo funcional, enquanto mentes anuviadas pela lavagem cerebral promovida nos meios de comunicação viviam a ilusão permanente de que um dia tudo ia mudar.

Mas eis que as cicatrizes todas do passado, traduzidas em pobreza, desalento, falta de perspectiva, humilhação econômica, ainda estão aqui e ainda doem. O modelo político que erigiu a impunidade como caminho para o poder e criou uma casta de privilegiados em detrimento da grande maioria da população, deseja, de fato, que seus crimes sejam esquecidos. Não dá. É preciso punir e divulgar os culpados para que nada parecido nunca mais aconteça no Maranhão. Foi esse futuro que o povo escolheu.  

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