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terça-feira, 16 de junho de 2015

Lascívia intelectual

Editorial JP, 15 de junho

A lascívia intelectual do senador José Sarney contribuiu muito para enterrar sua carreira literária. Isso ficou mais claro no artigo de domingo em que, depois desfazer de toda a imprensa que não compõe o Sistema Mirante, taxando de pasquins, arremessou seu ódio destilado contra “a perseguição sofrida pelo jornal O Estado do Maranhão”. Por perseguição leia-se o fim da transferência de recursos públicos que poderiam ter sido aplicados em agricultura e educação para os cofres de seu jornal, o que nos anos de domínio de Sarney aconteceu até no orçamento anual do Estado, conforme reiteradas denúncias na Assembleia.
Sarney teve tudo nas mãos para ser um escritor pelo menos relativamente famoso. Dizem até que a ditadura militar obrigou os imortais a lhe concederem uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Mas não podia ser poeta, se o regime que defendia mandava poetas para a cadeia; não podia ser escritor de romances, se os intelectuais apavorados do país estavam de olho em sua própria história; nem a escrever artigos e ensaios poderia se arriscar, se nem a seus sicários a ditadura permitia o pensamento livre e a liberdade de expressão.
E bastaram 5 meses do governo Flávio Dino para que, somente no mês de maio, mais de 2.500 novas empresas se instalassem no Maranhão, para que o Porto do Itaqui fosse contemplado com um aporte R$ 500 milhões e mediante concessões ao setor privado. O nome disso é desenvolvimento, coisa de que a meio século não se tinha notícia no Maranhão. E quando o Porto do Itaqui anuncia um desempenho de quase 1.000 % maior que no mesmo período do ano passado, o grupo Sarney se afoga na própria incompetência.
Enquanto conferem cadáveres, os Sarney se intimidam com uma polícia que prende assaltantes de bancos, chefes de facções criminosas, com o fim das rebeliões e fugas quase diárias na Penitenciária de Pedrinhas, com agiotas e corruptos na cadeia. E 432 novos policiais acabam de ser formados. Formados. Não são homens sem treinamento, jogados nas ruas a título de propaganda política, só capazes de colocar em risco a própria segurança e a segurança dos cidadãos.
Depois de quase 50 anos, pela primeira vez estamos diante de um projeto que visa pavimentar a cidade de São Luís! O que os Sarney têm contra São Luís?
E foi lançado, ontem, o programa “Água Para Todos”. São Luís, depois de 50 anos, vai se livrar do racionamento de água potável e Sistemas Plenos de Abastecimento começam a ser construídos ao derredor dos 30 municípios beneficiados com o Programa Mais IDH. E o Maranhão se livra também do Programa Menos IDH, de Roseana Sarney. Mais de 30 anos depois, um governo se dispõe a concluir a reforma do Italuís, com aumento previsto de 75 % no abastecimento d’água da capital.

Em sua lascívia intelectual, Sarney só não contou que o jornal “O Estado do Maranhão” foi uma, entre muitas concessões da ditadura à imprensa “confiável”, para mascarar a existência da censura e impedir que o povo soubesse o que realmente estava acontecendo neste país. Portanto, não deveria taxar ninguém de pasquim. 

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