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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Violência: essa é uma briga particular?

Editorial JP, 26 de junho

Um irlandês desaforado, diante de qualquer confusão perguntava: Essa é uma briga particular ou qualquer um pode entrar? Parece que o (ex) governo Roseana fez a mesma pergunta no que tange ao combate à criminalidade no Maranhão e lhe responderam que era particular. A violência se amontoou em proporção apocalíptica e o governo quedou, paralisado pela ineficiência da administração.
Vieram recursos para construção de quatro penitenciárias que jamais saíram do chão e o governo Flávio Dino vai construir. Não houve a reforma dos prédios do Sistema Penitenciário para adequar os presídios à Lei de Execuções Penais e em determinados momentos teve-se a impressão de que o crime organizado estava liberado para promover um verdadeiro vale-tudo em São Luís. Em Termo de Compromisso assinado com o ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Levandovski, o governador Flávio Dino assumiu a construção e reforma de obras que poderiam ter evitado muitas dores de cabeça ao cidadão maranhense.
Como acontecia em certas montanhas da Sardenha, onde o furto de uma cabra só era considerado crime se o ladrão ou alguém de sua família consumisse o leite do animal, a leniência na administração dos cárceres do Estado, durante dois mandatos seguidos de Roseana Sarney, permitiu que o comando de facções criminosas, fosse exercido de dentro das celas. E sem qualquer vislumbre de punição para os culpados, dentro ou fora dos presídios. O resultado foi apavorante: ônibus e outros veículos incendiados, assassinatos, arrastões, um terror tão poderoso que em determinado momento a própria polícia recolheu um trailer de vigília de uma praça pública e correu com medo dos bandidos.
Mas a luta contra a violência não é uma briga particular. Depende de investimentos na educação, de uma real assistência do Estado às populações empobrecidas, de melhor distribuição de renda, da construção de presídios, policiamento efetivo, da prevenção e repressão ao crime, de policiais bem pagos, do combate à corrupção em todas as esferas do poder público. Todas essas providências que só começamos a ver agora no Maranhão, com a ascensão do Dr. Flávio Dino ao poder, 50 anos depois.
O controle das facções criminosas parecia não se restringir apenas ao sistema prisional, pois aqui fora a cidade vivia dias de medo e terror. Em 2013, numa única rebelião, 9 presos foram mortos e três já tinham sido assassinados na semana anterior. Comissões de Direitos Humanos e outras visitaram Pedrinhas e saíram de lá apavoradas e indignadas. A Comissão da Câmara Federal que aqui esteve na semana passada, no entanto, já constatou melhorias no sistema prisional.

O governo e a polícia já estão dando as primeiras respostas ao caos que se deixou instalar na segurança pública. Em abril, 80 membros de uma facção criminosa foram presos em uma festa e há dois dias foi presa uma quadrilha que, imaginem, estava sob o comando de um membro do PCC de São Paulo. Já se pode dizer que não há mais leniência com o crime nem facções criminosas agindo impunemente em São Luís. 

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