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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Comunidade científica responde a agressões do jornal “O Estado do Maranhão”


O Departamento de Comunicação Social – DCS, da Universidade Federal do Maranhão, vem a público reposicionar a verdade e externar indignação, em razão da nota publicada, na edição do dia 15/07/2015, na coluna Estado Maior, do Jornal O Estado do Maranhão. Leviana e irresponsavelmente, o autor da nota demonstra não ter conhecimento da lógica do campo científico (acadêmico); também que sequer leu integralmente o projeto ao qual faz referência. Uma postura “profissional” que fere a dignidade da comunidade acadêmica do estado e põe em suspeita a lisura do processo de avaliação de projetos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão, Fapema.
A coluna desrespeita, inclusive, a área de Ciências Sociais e Humanas, ao citar que é curiosa a aprovação de um projeto com essa temática, em meio a projetos das áreas de saúde, ciência e tecnologia. Cabe perguntar: Existem ciências maiores e menores, para ele? E, ainda, não é importante pesquisar a relação entre imprensa e governos, sejam estes apoiados ou não pelos meios de comunicação? Convém esclarecer que, na área de Comunicação/Jornalismo, um dos objetivos dos pesquisadores é contribuir para a compreensão do papel da imprensa como instituição e ator político relevante no sistema democrático em que vivemos, tendo-se como pressuposto que, sem imprensa livre, não há democracia. Sem pesquisa livre, não há desenvolvimento científico e social.
O texto do jornal, porém, assim resume um projeto de pesquisa realizado por docentes e discentes deste Departamento: “a pesquisa acena para críticas ao jornal e flores aos Leões”. Lamentável! A professora proponente do projeto e demais membros da equipe são cientistas. Fazem pesquisas, não militância política. Se os resultados desagradarem ao jornal, ao governo ou a outro ator social, paciência. Não se faz pesquisa para agradar, faz-se pesquisa para conhecer, para fomentar o debate, para elucidar questões.
Por puro desconhecimento ou má fé, contudo, a coluna não procurou este Departamento a quem compete responder institucionalmente pelos professores lotados nesta unidade. Bem ao contrário disso, a coluna “preferiu” atacar a integridade da pesquisadora Li-Chang Shuen Cristina Silva Sousa e de toda a equipe que participa da pesquisa, ao afirmar que o projeto foi aprovado por interesses políticos do governo estadual. Lamentável! Se o autor da nota tivesse lido o edital universal ao qual o projeto foi submetido, saberia que o julgamento das propostas é feito por pesquisadores de outros estados, chancelados pelo CNPQ e sem nenhum vínculo com quaisquer dos proponentes locais. O processo é idôneo. Se houvesse perguntado à pesquisadora, saberia também que ela trabalha com a relação entre mídia e política local desde as eleições de 2014 e não tem nenhum vínculo com o governo.
Ao desrespeito do jornal, respondemos com o reconhecimento do trabalho da professora doutora Li-Chang Shuen Cristina Silva Sousa. Professora deste Departamento, ela é coordenadora do Laboratório Integrado de Pesquisa e Práticas Jornalísticas e Culturais (LABJOR), registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ, com pesquisas ativas nas linhas de mídia e política, cultura e identidade nacional. O Projeto “Governando contra as notícias: o primeiro ano do governo Flávio Dino nas páginas do jornal O Estado do Maranhão”, coordenado pela professora Li-Chang Shuen, faz parte das ações de pesquisas desenvolvidas por este Departamento, no LABJOR, com a participação de professores mestres e doutores e de discentes, em orientação de Iniciação Científica, atividades previstas no desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão desta UFMA.
Nesse sentido, reafirmamos que a responsabilidade social de uma instituição pública de ensino passa pelo empenho e pela competência de professores como a professora Li-Chang Shuen Cristina Silva Sousa. A pesquisadora, atualmente, além do projeto acima referido, tem outro projeto em andamento, com apoio da Fapema por meio do edital de fomento a pesquisadores recém-doutores, lançado em 2014: “Imaginário popular sobre o STF sob a presidência de Joaquim Barbosa: a noção de Justiça nos comentários dos leitores da Revista Veja”. Ainda sobre a quem lê ou leu o edital (coisa que o jornalista não fez, infelizmente) poderá observar que, ao término das duas pesquisas, equipamentos e livros que serão adquiridos com verba pública serão incorporados ao patrimônio da Universidade Federal do Maranhão, conforme exigem os editais da Fundação. Ressalta-se que os pesquisadores não auferem nenhum benefício financeiro pessoal em suas pesquisas financiadas, via editais das agências de fomento, sejam elas estaduais ou federais. O benefício é para a ciência e, via de consequência, para a instituição UFMA e para a sociedade.
Em tempo, sobre o andamento da pesquisa “Governando contra as notícias: o primeiro ano do governo Flávio Dino nas páginas do jornal O Estado do Maranhão”, este Departamento informa que três professores doutores, pesquisadores deste curso, apresentarão os resultados preliminares da pesquisa sobre o jornalismo realizado pelo Jornal o Estado do Maranhão, nos primeiros cem dias do governo Dino, no encontro nacional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom, em setembro de 2015, no Rio de Janeiro.

Protásio Cézar dos Santos

Chefe do Departamento de Comunicação Social

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