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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Com a Constituição nas mãos

Editorial JP, 8 de dezembro


Com a Constituição nas mãos, o governador Flávio Dino defendeu, no Palácio dos Leões, domingo, o mandato da presidente Dilma Rousseff. Mas sabemos nós que, apesar de todo o embasamento jurídico que fundamentam seus argumentos, a Nação está diante de um julgamento político cujo desfecho final caberá ao Senado da República.
O governador é um líder nato e desses capazes de vencer qualquer debate pelo convencimento. E o debate sobre o processo de impeachment da presidente é um dos mais sérios do país nos últimos 50 anos. Não é à toa que um dos mais ácidos críticos do governo do PT nesses tempos, o ex-ministro Ciro Gomes, se juntou às vozes que defendem a conclusão do mandato da presidente.
O país corre riscos. Há um clamor da população contra o PT e contra a corrupção institucionalizada por esse partido no Brasil. Ocorre, porém, que a queda de Dilma significaria a assunção ao poder do PMDB, o maior colegiado de corruptos que a história do Brasil já registrou. E, em frente, na linha sucessória de Dilma, estão exatamente Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, este o mais próximo parceiro político de José Sarney nas traquinadas senatoriais.
Nada mais parecido com aquela história de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. A opção do PMDB seria um castigo insuportável para o Brasil, mas seria, principalmente, para o Maranhão. É melhor nem pensar nas alianças odiosas que Sarney arquitetaria com vistas a inviabilizar o governo democrático do Maranhão. Isso, se não fosse mais longe e arranjasse uma percussão judicial para abafar o mandato de Flávio Dino, como fez com o de Jackson Lago.
Mas, certamente, não é esse um problema tão-somente do Maranhão, nem essa uma razão solitária a mover o governador Flávio Dino. É o país. Entrelaçado por três crises, (econômica, política e moral), o Brasil corre o risco de cair em mãos de aventureiros que querem o poder pelo poder. E é bom que se reflita, pausadamente, sobre o exemplo dado pelo governador da chancela do Congresso Nacional ao golpe de 1964.
Conclui-se, pois, que as duas opções, para o povo brasileiro, são desastrosas porque, mesmo que não tenha a presidente cometido nenhum crime, o PT não merece mais governar o Brasil. E entrega-lo, como frisou Ciro Gomes, em mãos de mafiosos encastelados no PMDB, talvez fosse pior ainda.

Com a Constituição nas mãos, o governador defende o que acha ser o melhor para o país. Na dúvida, é o que devemos fazer todos nós: atender ao Império das leis, seguindo os lúcidos argumentos do governador. O Brasil está cansado de aventureiros, mafiosos e ditadores. 

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