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domingo, 13 de março de 2016

É preciso ouvir o Brasil

Esse povo quer ter a garantia de que o dinheiro da saúde pública não acabe em contas secretas, quer ter a certeza de que a agiotagem com recursos públicos não será mais possível, não quer seus filhos com fome porque algum barrigudo rico comeu a merenda escolar.

JM Cunha Santos


Tenho advertido, desde o processo do Mensalão, passando pelo Petrolão, através de editoriais, artigos e em programas de rádio, sobre o nascimento de uma nova fronteira ideológica no país. Se minha geração foi às ruas no enfrentamento de uma ditadura militar que fez da exceção a regra, transgredindo princípios constitucionais, deportando, torturando e matando, as gerações que a sucederam decidiram impor limites à corrupção. E isto desde o advento do governo Collor de Melo.
O povo aprendeu que a origem da fome, do desemprego, da pobreza absoluta, da saúde pública sucateada, da educação desmobilizada é a corrupção. Neste domingo, a maioria do povo presente nas praças não é constituída de militantes partidários, não são pessoas com interesses diretos focalizados na luta pelo poder. É só um povo decepcionado, desestimulado, descrente das classes políticas; um povo que perdeu a fé nos homens públicos e, o que é pior, cada vez mais descrente das instituições. E é este o maior perigo que ronda o país, mormente num momento de grave crise econômica.
O pedido de prisão preventiva de Lula é um erro magistral da inépcia de meia dúzia de promotores de São Paulo, mas erro maior ainda são as ameaças de morte ao juiz Sérgio Moro. Não estão ouvindo o Brasil. O que o povo brasileiro quer, de fato, são regras, leis definitivas que ponham fim à escalada da corrupção. Uma geração inteira lutou por eleições diretas; outra está lutando pelo saneamento das instituições públicas. Mas no front partidário parece ser essa a única razão que não querem ouvir.
Não é tão-somente o fim da corrupção do PT que o povo pede nas ruas e, principalmente, dentro de casa e nos locais de trabalho. Não é o fim da corrupção do PMDB nem do PSDB. É o fim de toda a forma de corrupção no Brasil. Esse povo quer ter a garantia de que o dinheiro da saúde pública não acabe em contas secretas, quer a certeza de que a agiotagem com recursos públicos não mais será possível, não quer seus filhos com fome porque algum barrigudo rico comeu a merenda escolar.
Mas sobra a impressão de que, em meio a toda essa tormenta, os homens públicos só divisam o poder, a manutenção do poder ou a oportunidade de estar ou voltar ao poder.

Mas antes que seja muito tarde, é preciso ouvir o Brasil.

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