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quinta-feira, 24 de março de 2016

O Atlas da violência financiada

Editorial JP, 24 de março
O Atlas da Violência no Brasil, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-Ipea, traz uma estatística alarmante: quase 60 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2014, com a agravante de que as vítimas desses homicídios se situam na faixa etária entre os 15 e 29 anos. Em outras palavras, na esteira do narcotráfico, a juventude brasileira está se matando nas ruas.
No Maranhão, entre os anos de 2004 e 2014 houve uma evolução de 244,3 % no número de homicídios, configurando, porém, uma redução de 12% nessa modalidade de crime na Região Metropolitana de São Luís em 2015. Entendendo-se que essa região esteve sempre em primeiro lugar no ranking do Ipea, com o maior número de assassinatos.
Esta redução, que supera em mais que o dobro a meta de 5% estabelecida pelo Pacto Nacional, deve-se a uma total inversão da política de segurança pública a partir do governo Flávio Dino, a começar pela redução do déficit de profissionais de segurança do Estado, um dos maiores do país. Mil e quinhentos novos policiais, entre civis e militares, foram incorporados ao sistema de segurança, sem contar o reaparelhamento que colocou 80 novas viaturas nas ruas e uma série de treinamentos e qualificações operadas nas polícias Civil e Militar do Estado. Nas palavras do Secretário de Segurança, Jefferson Portela “A integração das polícias civil e militar, com adequado reaparelhamento da radiocomunicação e a atenção às curvas de variação da criminalidade – modalidades e localidades – colaboram na elaboração de estratégias específicas e mais diretas de combate à violência e a criminalidade.
Essa é uma guerra a vencer em todo o país: a guerra contra o ódio, contra a violência paga nos subterrâneos da sociedade. Conclamar a sociedade todos os dias contra esse terrível estágio de inadequação aos limites da lei, da solidariedade, à luta pelo melhor, pelo bom, é dever de todos os homens de boa vontade. São mais crimes de homicídio que em muitas guerras ocorrentes em diversos países. Os sonhos de paz e concórdia se anulam se também o poder público não for capaz de restringir os índices de criminalidade e violência, tenham elas as origens que tiverem. É, além, de incompreensível, inacreditável que um número tão alto de jovens e adolescentes sucumbam sob as ordens da violência financiada pelo banditismo.

Mas a notícia de que no Maranhão, 10 anos depois, foi possível reduzir a escalada de assassinatos na região metropolitana de São Luís, é um sinal de esperança, uma confirmação de que nem tudo está perdido, embora custe-nos esperar pela vitória do bem contra o mal. Este, infelizmente, é um mundo de terror, no qual, pelas mais fúteis razões, inclusive políticas e religiosas, os homens se matam. A vida em sociedade impõe diferenças, destaca, cria privilégios. E essa é também uma das origens dessa violência desmedida, como a ambição que paga a violência financiada. Mas o que não podemos é desistir da oportunidade de fazer alguma coisa pela construção de um ser humano melhor, de uma sociedade em que todos possam viver em paz. 

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