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sexta-feira, 15 de abril de 2016

48 horas

Editorial JP, 15 de abril

Daqui a 48 horas, a Câmara Federal decide pelo afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff da Presidência da República. E cada grupo, a favor e contra, faz suas contas. Quem tem mais votos? Mas contas mesmo faz o povo brasileiro, tanto no que diz respeito a seu poder de compra, como no que diz respeito aos crimes cometidos por aliados e não aliados do Governo. Sim, esse povo faz as contas apenas para calcular que, seja lá como for, seus prejuízos são irreparáveis. Talvez também para concluir que o país não precisa de mudanças graduais, mas de uma radical guinada na direção da ética e da honestidade na política.
Os aumentos sucessivos nas contas de luz, o nível histórico de desemprego, a inflação, a bancarrota da dívida pública e tudo o mais que puderem pensar, se somados, não alcançam percentagens do nível de corrupção que se alastrou pelo país. Talvez não se trate de substituir ou não governantes, mas de se criar um novo modelo político no qual a irracionalidade da luta pelo poder não patrocine mais a desgraça da Nação. Tudo parece podre. O ar que se respira no Brasil não aconselha que, politicamente, neste universo e com estes personagens, se defenda nada. Eram irmãos siameses até a semana passada. A sensação é de que depositaram o futuro da Nação em paraísos fiscais, transferiram a proteção social para offshores instaladas em grutas do patrimônio público e isso sem que pareça possível encontrar um único inocente entre todos que se digladiam das portas do Planalto às portas do Congresso.
Lamentavelmente, faltam 48 horas para que, vença quem vencer, a mentalidade política dos que enfiaram o país nessa arapuca continue a mesma. E, se acham que essa é uma visão pessimista, apenas confrontem a realidade de que o Rio de Janeiro, o segundo estado mais rico do país, não dispõe mais de recursos para pagar os aposentados. Dessa escaramuça, o que mais provavelmente vai sair é uma coalizão que mais uma vez reúna PMDB, PT, PP, PRB, PTB e aí... Os mesmos, para salvar o Brasil da grave crise política e da explosiva crise econômica que a corrupção de todos eles criou.
Pode ser que 48 horas não bastem para medir a desesperança dos brasileiros e 48 séculos não sejam bastantes para nos devolver a fé. Nas próximas 48 horas, de um ou de outro lado, muitos haverão de comemorar. Mas o povo brasileiro não há de comemorar nada. Porque não é possível comemorar hospitais fechados, escolas degradadas, universidades sem recursos; não é possível comemorar o desemprego, a falta de perspectivas de futuro, a alienação decorrente da criminalidade impune. Não há de comemorar porque, em nenhuma hipótese, a fome pode ser comemorada, principalmente se todas as fomes que atingem um povo têm origem na mais generalizada corrupção que a História conheceu.

Mas faltam apenas 48 horas para que tudo volte a acontecer.

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