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sábado, 23 de abril de 2016

Comunidades rurais

Editorial JP, 23 de abril

Se houve um projeto das esquerdas socialistas jamais concretizado completamente, no Brasil e em outros países, foi este o da Reforma Agrária, sonho de milhões de camponeses em todo o mundo, principalmente nos territórios tomados pelo latifúndio. Uma situação quase sempre muito mais grave no Nordeste do Brasil onde, além das causas gerenciais, a estiagem costuma ser bem mais profunda. Daí à extrema pobreza é um passo só, como podem constatar os viajantes dessas terras.
Uma notícia assaz importante para o homem do campo maranhense é a parceria do Governo do Estado com o Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA) que pretende exatamente contribuir para a redução da extrema pobreza nas comunidades rurais do Maranhão. O projeto visa, entre outras intenções, promover o desenvolvimento das cadeias produtivas, da assistência técnica e, particularmente, o desenvolvimento da capacidade de produção própria de cada comunidade rural. O benefício deve alcançar 860 mil maranhenses nos chamados “Territórios da Cidadania”: Baixo Parnaíba, Campos e Lagos, Cocais, Lençóis Maranhenses/Munin,  Médio Mearim, Vale do Itapecuru e territórios indígenas, num total de 87 cidades, 39 das quais em situação de pobreza extrema.
A ausência de Reforma Agrária amarrou as vocações agrícolas das comunidades maranhenses. Faltou planejamento, faltaram governos de vocação social tempo demais e o que aqui ainda se conseguiu fazer ficou atado ao clientelismo político e ao clientelismo econômico. Nem o ecoturismo, em regiões apropriadas do Maranhão, foi explorado a contento. Até aqui não se tinha notícia do acesso das comunidades rurais às tomadas de decisão sobre políticas públicas na área da agricultura. Pelo contrário, chegaram a cometer a sandice de acabar com a Secretaria de Estado da Agricultura, que só retornou a plenos pulmões com o advento do governo Flávio Dino. Só o que se via de concreto em termos de apoio do Estado, era a distribuição de sementes em períodos pré-eleitorais.
A discriminação da agricultura como fator de desenvolvimento e a ausência de políticas públicas agrícolas claras e estáveis, vitimou os pequenos produtores. Terra insuficiente, crédito escasso, insumos caros, enfim, uma coletânea de problemas provocados pela ausência do Estado, desenraizaram a produção agrícola no Maranhão e, consequência mais grave, desterraram de seus rincões os pequenos produtores rurais, muitos deles escravizados em outras regiões.
Também aqui avultaram-se a grilagem e os assassinatos de lideranças rurais, transformando as representações do homem do campo em sindicatos do medo, pois que, não contentes em discriminar a agricultura, muitos governantes faziam vista grossa a todas as covardias cometidas contra o homem do campo.

É claro que esse editorial não se esgota aqui, posto que se a luta imediata é contra a extrema pobreza no campo, sabemos nós que ela só será vencida com uma verdadeira e completa Reforma Agrária.

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