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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Escola da Rede Estadual de Ensino leva para as ruas de São Luís a temática “Escravidão Moderna”


Estudantes apresentam performance sobre trabalho escravo. Foto: Lauro Vasconcelos
“A escravidão moderna não está mais relacionada à cor, embora, os negros ainda sejam maioria no trabalho escravo. Não usa mais a corrente de aço, embora, sejam muitas as correntes da escravidão moderna. Todos nós, cidadãos, temos nossos direitos, e eles têm que ser respeitados”. Foi este pensamento que Ana Lídia Barbosa Rodrigues, de 16 anos, estudante do Centro de Ensino Jornalista João Francisco Lisboa (Cejol), levou às ruas de São Luís, neste dia 13 de maio, data em que os brasileiros lembram a abolição da escravatura no país.
Para lembrar a data, cerca de 250 estudantes e professores do Cejol participaram de uma caminhada, que seguiu pelas Ruas Grande e Afonso Pena, com destino ao Museu do Negro – Cafúa das Mercês, no bairro Desterro. Os estudantes levaram faixas e cartazes com frases sobre trabalho escravo no Brasil. No local, apresentaram uma performance teatral sobre o trabalho escravo nos dias atuais, onde pessoas, principalmente do norte e nordeste do país, são arregimentadas para trabalhar em condições análogas à escravidão em empresas no sul e sudeste do país.
A Caminhada é parte da culminância do Projeto ‘Escravo, nem Pensar!’ que vem sendo desenvolvido na escola desde o início de abril. Durante um mês o tema ‘Escravidão Contemporânea’ foi trabalhado em sala de aula como conteúdo transversal em disciplinas como História, Geografia, Filosofia, Sociologia, entre outras. Foram realizadas pesquisas, seminários, debates e documentários sobre a temática. Nesta quinta-feira (12), a escola já havia realizado uma exposição com os trabalhos produzidos pelos estudantes, sob a coordenação de 15 professores.


“O nosso estudante deve ser protagonista da sua própria história. A escola só faz sentido, na sua função social, se formar um cidadão crítico, atuante, que possa transformar o seu dia a dia, a sua história. E o que nós queremos, nessa construção de saberes, é que os nossos estudantes possam fazer a intervenção nessa forma desumana de escravidão moderna”, enfatizou Regina Silva Pereira, gestora Geral do Cejol.
“Esse é um trabalho interdisciplinar realizado com nossos estudantes sobre essa temática que muita gente não percebe, mas está presente no dia a dia. Entendemos que através da educação escolar conseguimos alertar o que está acontecendo, para as pessoas internalizarem isso e não se deixarem levar por falsas promessas”, destacou Denise Mota, coordenadora do projeto no Cejol.
Durante a apresentação na Cafúa das Mercês, os estudantes chamaram a atenção para o fato de que, na sociedade moderna, a escravidão se manifesta em vários aspectos. “As pessoas precisam ficar de olhos abertos para identificar as diversas formas de escravidão moderna: é o trabalho escravo, é o trabalho infantil, o trabalho doméstico, onde os direitos trabalhistas não são respeitados, além da escravidão do mundo das drogas. O nosso papel é tentar alertar para este problema, e assim ajudar a combater esse mal”, enfatizou Eqson Marcelo Firmino Costa, de 16 anos.
“Todas as escolas da Unidade Regional de São Luís estão envolvidas nessa temática da escravidão moderna. Este tema vem sendo trabalhado de uma forma permanente e contínua e está inserido dentro da proposta pedagógica de cada escola. Hoje, várias escolas da URE de São Luís estão realizando a culminância do ‘Escravo, nem Pensar’, nesta que é uma data emblemática para o nosso país e que é pra ser refletida e discutida”, destacou a professora Eva Alves de Moraes Barros, gestora da URE São Luís, que acompanhou a ação.
O projeto “Escravo, Nem Pensar!”
Escravo, Nem Pensar! é um projeto idealizado pela ‘ONG Repórter Brasil’ formada por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores no Brasil. Aqui no Maranhão o projeto tem a parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O Maranhão foi o primeiro estado do Brasil a promover a formação de educadores para atuar no enfrentamento e combate ao trabalho escravo. Aqui, o projeto integra o ‘Programa Escola Digna’, em conformidade com as metas do II Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, estabelecidas para a Seduc.

A finalidade do programa no Maranhão é desenvolver ações educativas em escolas da rede estadual de ensino, voltadas à prevenção e ao combate ao trabalho escravo nas regionais cujos municípios são os mais críticos em relação à ocorrência de trabalho escravo. Até o fim deste ano deve alcançar 10 mil professores e 190 mil alunos. “Este é um trabalho muito importante que vem sendo desenvolvido, onde os professores estão cumprindo com o importante papel social de formação crítica dos nossos alunos”, enfatizou o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão.

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