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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Abaixo-assinado de alunos pede volta de professora demitida após ameaça

Do G1


Um grupo de alunos do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) criaram um  abaixo-assinado na web para pedir a recontratação da professora Bárbara Cruvinel. A demissão dela, ocorrida na última sexta-feira (26), está envolta em uma polêmica. A docente afirma que foi ameaçada por uma estudante reprovada. Com medo, ela resolveu dar nota dez para toda a turma e foi desligada.
Até às 17h30 desta teça-feira (30), mais de 1,3 mil pessoas haviam assinado a petição (leia a íntegra no final da reportagem). No texto, os discentes alega que Bárbara deixou a instituição "sem motivos plausíveis e oportunidade de defesa".
Além disso, o pedido lista três motivos para requerer o retorno da professora, que leciona na disciplina de Direito Civil. O primeiro deles é o fato de que alguns dos alunos escolheram estudar na unidade de ensino, justamente pela presença de Bárbara, classificada por muitos como "uma das melhores docentes da universidade".
A petição salienta ainda que serão prejudicados com a ausência dela, uma vez que o semestre já foi iniciado. Por fim, salientam que a faculdade deve "dar um maior suporte aos docentes, promovendo a segurança e dando autonomia aos que promovem o exercício da educação".
Questionada sobre o abaixo-assinado, a assessoria de imprensa da PUC-GO se limitou a dizer, em nota, que a demissão da professora ocorreu por problemas "didáticos - pedagógicos, apresentados pela mesma". O comunicado pondera ainda que, por ética, a instituição manterá "reserva dos detalhes".
Ameaça aos filhos
Bárbara leciona há oito anos e conta que a estudante reprovada na disciplina ficou insatisfeita com a reprovação e resolveu reclamar em tom agressivo. "Ela me falava que queria outra nota, ou outra prova, ou rever a média e que ela iria resolver naquele dia e naquela hora sob pena de doer a mim e ou aos meus filhos", afirma.
Em uma postagem nas redes sociais, a professora diz que procurou a faculdade para reclamar da conduta da universitária. Porém, salienta que não obteve nenhuma resposta e, por receito, mudou a nota de todos, inclusive da estudante reprovada.
Bárbara comenta que o caso gerou uma grande repercussão dentro da PUC-GO, a ponto de culminar com sua demissão. Ela pontua que não foi explicado o motivo de sua saída. "Eles me falaram que não tina razão pela minha demissão", destaca.
Alguns estudantes, revoltados com a situação, fizeram um protesto em frente à faculdade na segunda-feira (29) para pedir a volta da professora.
Íntegra da petição:
ABAIXO ASSINADO CONTRA A DEMISSÃO DA PROFESSORA BÁRBARA CRUVINEL - PUC GOIÁS
Para: Discentes do Curso de Direito da PUC Goiás
No dia 26/08 a professora Bárbara Cruvinel foi desligada do quadro docente da Universidade, sem motivos plausíveis e oportunidade de defesa. Nós discentes desta universidade, abaixo assinamos essa nota, mui respeitosamente, para solicitar que a professora Bárbara de Oliveira Cruvinel Faria retorne ao quadro docente de nossa universidade, por entendemos que:
- A PUC Goiás é tradicionalmente reconhecida pela sua qualidade de ensino, motivo o qual foi fundamental em nossa escolha de qual instituição seria responsável por nossa formação. A Professora Bárbara Cruvinel é reconhecida entre os alunos da instituição, pela dedicação ao exercício de sua profissão, sendo considerada por muitos, uma das melhores docentes da universidade, lecionando em excelência, de forma erudita e eficiente.
- Os alunos da Professora Bárbara Cruvinel se sentem prejudicados com a ausência da Profa. Bárbara, visto que o semestre já fora iniciado,
- Diversos alunos presenciaram as agressões sofridas pela professora Bárbara, por parte de um discente que fora reprovado. Essa não foi a primeira agressão a docentes da Universidade e entendemos que a instituição deve dar um maior suporte aos docentes, promovendo a segurança e dando autonomia aos que promovem o exercício da educação.

Entendemos o nosso espaço na construção desse ambiente acadêmico, e temos o dever legal e moral de lutar pelo Direito, mas se um dia encontrarmos o Direito em conflito com a Justiça, lutaremos pela Justiça, a universidade não divulgou o que a motivou a demitir a professora Bárbara Cruvinel, mas entendemos que o retorno desta para a instituição é uma questão de justiça, oportunidade para a Universidade demonstrar que em sua política institucional, a educação não é mercadoria.

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