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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Fenômenos eleitorais

Editorial JP,05 de outubro


Fenômenos eleitorais surgem de tempos em tempos e quase sempre são inexplicáveis e indetectáveis. Às vezes uma única frase ou um único slogan é capaz de criar um desses candidatos que mudam toda a lógica da eleição e desafiam todas as previsões eleitorais. Um exemplo foi a eleição inesperada do ex-presidente Collor de Melo que a uma imagem de esportistas juntou a expressão “O caçador de marajás” e acabou vencendo o mais recente fenômeno à época, o operário Luís Inácio Lula da Silva.
Mais fenomenal ainda foi a frase que fez do deputado Tiririca o mais votado da história de São Paulo: “Vote no Tiririca, pior do que está não fica”. Se elegeu e levou para a Câmara vários deputados sem votos candidatos pelo seu partido.
No caso do recente primeiro turno da eleição em São Luís, surgiu um inesperado fenômeno eleitoral, o deputado Eduardo Braide que em todas as pesquisas estava colocado entre os últimos lugares. Nenhum instituto conseguiu detectar o avanço inesperado de sua candidatura e ele acabou em segundo lugar pronto para disputar o segundo turno com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, ultrapassando as intenções de votos em Wellington do Curso e Eliziane Gama. Longe das frases feitas e dos slogans imbatíveis, Braide parece ser um fenômeno dos palanques eletrônicos, nos quais um discurso articulado e o conhecimento de causa sobre os problemas de São Luís e projetos legislativos que atendem às políticas públicas exigidas pela população despertaram o interesse do eleitor.
Outros fenômenos eleitorais podem ser citados. Clodovil Hernandez, um homossexual assumido, numa terra de muitos preconceitos e homofobia, foi eleito com mais de 500 mil votos em 2006, mostrando que diante dos fenômenos eleitorais, o eleitor age como uma locomotiva desgovernada disparando em uma direção só. Com o bordão “Meu nome é Enéas”, o cardiologista Enéas Carneiro teve votos suficientes para eleger mais 5 deputados federais, sendo candidato por um dos mais fracos partidos à época.
Esses fenômenos acontecem desde a invenção da democracia. Tanto que na Roma antiga era proibido ser artista e político. E os fenômenos às vezes ocorrem a partir de campanhas políticas bizarras que reúnem votos de protesto contra a política e os políticos tradicionais ou em que um povo decepcionado vota por pura galhofa recusando os compromissos verdadeiros com a coisa pública.

É claro que o surgimento de um fenômeno eleitoral não significa que o candidato será inevitavelmente eleito, principalmente em se tratando de eleições majoritárias. Em territórios de voto obrigatório os fenômenos são decorrência de uma série de fatores sócio econômicos e políticos e da aversão do próprio povo pela política, como acontece atualmente no Brasil. 

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