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terça-feira, 29 de novembro de 2016

A lista negra

JM Cunha Santos


O arquivamento dos processos contra Roseana Sarney e Edison Lobão na Lava Jato, representou poucos dias de alento para os dois correligionários, ante suas complicadas desventuras com a Justiça. Imediatamente à decisão da suprema corte, o nome de Roseana ressurge na crônica da corrupção deslavada do país, desta vez na lista negra da Odebrecht, ao lado de oito governadores, sete ministros, 16 senadores e 55 deputados federais.
“Falta de provas” é quase sempre um eufemismo usado extensivamente para proteger figurões da ação policial e judiciária. Mas são tantas as deliberações jurídico-policiais contra a ex-governadora que nada lhe garante sobrevida política no Maranhão e no Brasil. Além da lista negra da Odebrecht, pesam-lhe na consciência o precatório da UTC Constran e o rumoroso caso das isenções fiscais na Secretaria da Fazenda que teria ocasionado um rombo de quase R$ 1 bilhão aos cofres do Estado, estes no âmbito da justiça maranhense e sob a égide de decisão do próprio STF que garante condenação ainda em segunda instância.
Avultam-se, assim, os dilemas de um poder exercido no distanciamento dos interesses do povo e articulado, entretanto, na fronteira entre a ilegalidade e o enriquecimento ilícito. No sarneisismo, a máquina estatal aliou-se a todas as impropriedades institucionais espalhadas pelo Brasil afora, passou a constar de todas as listas negras que se elaboraram no país, os dossiês da maldição que afundou o país na crise econômica.
O esbulho não foi apenas econômico e financeiro; a alma maranhense se perdeu num grotesco emaranhado de desvios de conduta que privatizou as contas públicas e espalhou-se como câncer seminal, minando o desenvolvimento e a ética institucional no Maranhão. Não é, portanto, tão importante assim que lhes tenham (a Lobão e Roseana) arquivado alguns processos. Estão politicamente esgotados aos olhos do povo e ainda lhes paira sobre a cabeça a espada da Justiça, estão moralmente inelegíveis, porque as verdades postas em tantos inquéritos explodirão em sentenças condenatórias mais dia menos dia.

A lista negra do Maranhão, esta que safenou o progresso, depauperou a saúde pública, contaminou a educação e escalpelou o sistema de  segurança, em troca de rolos de propina, pagará sim, o preço dos atrasos econômico, político e moral do Maranhão.

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