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domingo, 11 de dezembro de 2016

OS FUNCIONÁRIOS

JM Cunha Santos


Venha comigo ao céu
preciso trocar de ódio – sou
humano como cavalos de corrida
preciso mandar fazer outra alma
pedir a Deus novos espantos para os
mortos-vivos nas avenidas sujas do país

Venha comigo ao céu e sangre
com a patifaria dos famintos no
campo minado das delações premiadas
cobertos dos guarda-chuvas jurídicos
e molhados, entanto, pelas nuvens tributárias
que trincam ossos pobres no amanhecer

Venha comigo ao céu e salte
aos avisos súbitos no contracheque
até mamar o leite das vacas de presépios
até o contra-ataque dos caixas eletrônicos
bombardeando fomes, medos e incertezas
neste currículo feito apenas de desilusões

Venha comigo ao céu e sonhe
com a Besta do Apocalipse no Senado
com tanques pisando a nua liberdade
Venha, tão humana quanto gado de corte
pois falta sopro às cornetas da decência
e para toda esperança uma nota musical

Venha sem pernas e sem braços
ver que chegamos perto do fim do mundo
refugiados de uma guerra em gabinetes
num navio de palhoças e tomates podres
onde cozinham futuros, vendem o convés
e plantam pés de mentiras em nome da lei

Venha comigo ao céu, Larissa
que mortos de vergonha todos os castros
e guevaras sobra-nos só o ataque cardíaco
a embolia moral cavalgando estômagos
o teu silêncio inacabado na cama selvagem

e parteiras aparando o nascer de outro Brasil

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