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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sem mandato e com medo da prisão, Sarney implora por foro privilegiado

JM Cunha Santos


O instituto do foro privilegiado vai desabar nesse país e não demora muito. Porque se trata de uma excrescência jurídica destinada unicamente a proteger a corrupção. E nesse aspecto chegamos ao limite de nossas forças. É um cancro generalizado, um câncer seminal provocando falência múltipla dos órgãos públicos e a desgraça do povo brasileiro.
É preciso dizer: todo corrupto quer ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal porque ali quase corrupto nenhum jamais é condenado e os poucos condenados quase sempre respondem em casa pelos crimes, ou seja, tiram férias, não muito longas, da corrupção.   
O blog do jornalista John Cutrim publicou o pedido de Sarney para que as investigações decorrentes da delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, sejam julgadas pelo STF ou pela Justiça Federal, em Brasília. Sarney foi acusado por Machado de receber R$ 18,5 milhões em propina, dos quais R$ 16 milhões em dinheiro vivo e, por determinação do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, é investigado também por obstrução da Justiça. Sem mandato, não tem foro privilegiado e fica sob a jurisdição do juiz Sérgio Moro, o terror dos corruptos no Brasil. As investigações da Lava Jato atingem tantos figurões que o escritor Mário Vargas Llosa considera um milagre que Sérgio Moro ainda esteja vivo.
Sarney está vendo muitos colegas seus indo parar na prisão e isso o apavora. Além disso, os movimentos de defesa à margem da Justiça nunca dão certo: Romero Jucá teve que desistir de seu projeto de blindar os presidentes da Câmara e do Senado nesse processo; Lobão está em queda livre na CCJ depois das denúncias que o envolvem e a seu filho, Márcio Lobão; o destino do projeto de lei de abuso de autoridade, que pretende punir juízes que decidam contra a corrupção, é um cofo de caranguejos e mais nenhum outro lugar.

O mundo desaba em torno do ex-presidente e o único caminho que lhe resta é implorar a clemência de uma Justiça a cada dia mais implacável com a corrupção.

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