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sábado, 10 de junho de 2017

Eu sonhei que o ministro Gilmar Mendes era um gato no telhado

JM Cunha Santos


Aquela coisa incômoda, que não para de miar, que provoca sinistrose nos ouvidos, alimenta insônias, espalha sensações de impotência, causa um misto de pavor e autopiedade, ganindo, gemendo, pedindo, exigindo sempre mais, impondo a voz acima de todas as outras vozes, era assim.
Como uma quadrilha de gatos famintos espalhando os pelos nas dispensas, esvaziando todas as dispensas, rompendo a lei do silêncio e todas as outras leis, interpretando a legislação como óperas bufas de mascates vendendo a alma, presente, onipresente, comendo tripas, fedendo a peixe, eternizando o som de sirenes na madrugada, era assim.
Tornando as noites mais noites, o escuro mais escuro e os pesadelos ainda mais pesados, jantando o sossego alheio, roubando dignidades, interrompendo o direito de dormir e descansar das injustiças, praticando fezes e odores insuportáveis, engolindo aspas, vírgulas e reticências, golfando ilusões, pantomimas e engodos, justificando o injustificável com berros e indignações teatralizadas, era assim.
Ao cio de seus comparsas siameses, desmentindo o universo, filósofo da ladroagem, sociólogo das elites felinas, cicatrizando o futuro de gerações mal dormidas, patrocinando a gula da gataria nos fogões, nas panelas, nos cofres, nas geladeiras, imponente, impermeável, intocável semideus de gatunagens eletivas, cuspindo a gosma de uma legislação privatizada, era assim.
E eis que, liderando a turba de felídeos predadores, dissocia-se dos humanos para justificar os crimes das lagartixas, insetos e roedores que, sem nenhuma piedade, consomem a alma, a carne e os ossos de um país.
Magistrado das ventanias, excelência dos conchavos, fuçador das malas grandes, é o rei; gato entre gatunos, servidor da gatunagem, condestável dos piolhos, impõe seu miado como o rugido de um leão. E sente-se a fera notívaga das madrugadas não dormidas, contra os desempregados, os desamparados, os desassistidos, os envergonhados, os ludibriados que pagam com fome e insônia o preço da corrupção.  

Manda Chuva dos telhados de vidro atira pedras na vizinha sociedade, rosna, bufa, incha o cérebro em defesa de parasitas, espirra antídotos legais contra a honestidade, contamina as instituições, distribui abcessos jurídicos e sente-se maior, porque, de seu telhado inimputável, infecciona toda uma Nação.

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