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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Saúde: “Fantástico” denuncia rombo de R$ 1 bilhão no governo Roseana Sarney, mas não cita ICN, Bem Viver, nem Ricardo Murad

JM Cunha Santos


Pois é. Faltou peixe no Sermão do “Fantástico”. Estranhamente, a matéria produzida no quadro eletrônico “Cadê o Dinheiro que Estava Aqui” não citou o ex-secretário de Saúde, Ricardo Murad, nem o ICN, nem o Bem Viver ou os donos desses institutos, apontados pela Polícia Federal como principais agentes no desvio de 1,2 bilhão da saúde pública do Estado do Maranhão e presos na Operação Sermão aos Peixes. E ainda por cima não registrou que o rombo ocorreu entre os anos de 2010 e 2013, posto que a Operação Sermão aos Peixes não alcançou a contabilidade do ano de 2014. Em outras palavras, o repórter foi tão secreto que escondeu os nomes dos acusados do crime pela Controladoria Geral da União e pela Polícia Federal.
O relatório de inteligência no qual a Polícia Federal se baseou para deflagrar a Operação “Sermão aos Peixes”, em novembro de 2015, comprovava movimentações financeiras atípicas dos institutos ICN e Bem Viver. O Idac, se já fazia parte do esquema fraudulento, nem sequer foi citado nesse relatório.
O delegado de Polícia Federal Sandro Jansen, durante entrevista sobre a Operação “Sermão aos Peixes”, no mesmo mês de novembro de 2015, responsabilizou Ricardo Murad pelo desvio de R$ 1,2 bilhão e declarou que os dois institutos – ICN e Bem Viver - recebiam recursos do Fundo Estadual de Saúde diretamente, não havia qualquer controle da Secretaria. Contratavam quem queriam, empresas de seus interesses, pessoas que prestavam serviços, médicos, engenheiros etc. Funcionavam, na verdade, como duas empresas sofisticadas e organizadas para lucrar burlando os mecanismos de controle de gastos, engolindo sobretaxas e superfaturando compras de insumos e equipamentos.
E foi tal o volume de recursos destinados à saúde, R$ 2 bilhões, repassados pelo Governo Federal, que o superintendente da Polícia Federal no Maranhão, Alexandre Saraiva, chegou a dizer que o estado poderia ter à época uma saúde de primeiro mundo. Mas 60 % de todo esse dinheiro sumiu no ar durante o governo Roseana Sarney, por obra e graça desses institutos e de uma organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, era chefiada pelo então secretário da Saúde, Ricardo Murad.
Em nenhum momento, no entanto, a reportagem do Fantástico se referiu à condução coercitiva de Ricardo Murad, às prisões ocorridas durante a operação, ao bloqueio de bens e recursos pessoais e dos institutos ou às conclusões da Polícia Federal. No mínimo, um péssimo exemplo de jornalismo.

Terceirização

Ontem, o governador Flávio Dino usou as redes sociais para dizer que “Não fomos nós que implantamos esse modelo de terceirização na Saúde. Já encontramos e estamos fazendo mudanças possíveis passo a passo”. E explicou que eliminar de uma vez só a terceirização para entidades privadas iria parar o sistema de saúde e gerar 10.000 desempregados. Acrescentou, ainda, que em 2 anos e meio de governo ninguém jamais acusou qualquer dirigente da Secretaria da Saúde de ser desonesto o que, disse, é prova da idoneidade deles.

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