JM Cunha Santos
essa diplomacia do dedo no
gatilho, é ser brasileiro
e realista.
O presidente Lula, ele mesmo, apesar de suas relações subterrâneas com os criminosos do PMDB no Brasil, reconquistou meu coração lá na Alemanha, ao enfrentar Ângela Merkel e seu discurso potencialista atrofiado de não proliferação de armas nucleares no mundo. O cerne da questão foi a aventura diplomática do Brasil ao receber o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad no momento em que as potências européias, mais o Estados Unidos, ameaçam perder a paciência e impor novas sanções ao Irã. Lula acha que é preciso ter mais paciência e disse o que o mundo internacional todo pensa e uma diplomacia comprada a euro e dólar engole a seco, como se com farinha de puba e areia da praia: que estes países não têm autoridade moral para exigir a não proliferação de armas de destruição em massa. Os arsenais de todos eles estão cheios destas bombas, controladas por computadores que podem desembarcá-las, a qualquer momento, em qualquer lugar do planeta.
Imediatamente, a Rede Globo acusou o presidente brasileiro de causar constrangimento ao anfitrião e o quase sempre muito lúcido Alexandre Garcia se comportou como um inocente útil forçando os eternos paralelos entre Lula e Hugo Chávez e esquecendo que a americana é a mais terrorista de todas as diplomacias existentes, inclusive patrocinando a eliminação física de chefes de Estado em outros países pela CIA, FBI e outros coletivos mercenários semi-oficiais de que se utiliza para impor o terror no mundo.
Um jornalista do The New York Times, Alexei Barrionuevo disse que as ambições do Brasil para se tornar um ator mais importante na diplomacia global estão atropelando os esforços dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais para frear o programa de armas nucleares no Irã. A Rede Globo repete essa cantilena, mas nunca se pergunta porque estes países – EUA, Rússia, Alemanha, França, Inglaterra e China - não freiam seus próprios programas nucleares. Estes sim, irremediavelmente belicistas e com capacidade de extraditar o planeta Terra da galáxia pelo menos uma centena de vezes. É muito confortável para qualquer um guerrear, mesmo na seara diplomática, quando se tem metralhadoras à disposição para enfrentar gente armada de estilingue. O Programa de Não Proliferação de Armas Nucleares, por mais que queiramos achar que os muçulmanos todos são doidos, cumpre um único e solitário objetivo: o de manter o poder de dominação sobre outros povos exatamente onde ele está: no Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Inglaterra, na China e na Rússia. São países com poder de fogo para riscar da face da terra outros países num piscar de olhos. E ninguém me diga que isso não é uma vantagem mastodôntica em qualquer negociação ou demanda, ou que a democratite americana impediria a utilização dessas armas.
A alegação de que Mhamoud Ahmadinejad é fruto de uma eleição fraudulenta e de uma repressão brutal às dissidência; de que seria ilegítimo entre seu próprio povo, portanto uma ameaça à democracia, como frisou o deputado norte-americano Eliot Engel em crítica à diplomacia do Brasil, não pode servir de razão para que o iraniano não seja recebido pelo presidente Lula. Bush também era ilegítimo já que nem sequer chegou a ter maioria de votos e, afinal, Mhamoud nem sequer saiu por aí estourando cabeças de mulheres e crianças, como fez o americano no Iraque, apenas para garantir o petróleo nosso de cada dia.
Podem me acusar de xenofobia, ou de saudosismo esquerdista crônico, de desconhecimento das relações internacionais ou, mesmo, de analfabetismo diplomático, mas não gosto de viver com uma espada nuclear sobre a cabeça, esteja ela em mãos de iranianos, americanos, alemães ou russos.
O presidente Lula, que mais uma vez será chamado de analfabeto e despreparado pela extrema direita sobrevivente, não está sendo ingênuo em seus argumentos diplomáticos. Os superpoderes das potências nucleares são a única ameaça real nessa história toda. Lula, o que faz, contraditando essa malfadada diplomacia do dedo no gatilho, é ser brasileiro e realista. Principalmente se pensarmos que o Iraque e outros países, como o Irã e a Venezuela de Hugo Chávez, têm apenas petróleo. O Brasil tem a Amazônia que todos os dias eles ameaçam internacionalizar (em linguagem diplomática, se apropriar). O Brasil tem água, tem mata virgem, ar para respirar. Eles têm as bombas nucleares que não deixam ser fabricadas, nem no Brasil nem em outro país qualquer. É só explodir.

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