domingo, 30 de junho de 2013

Conselhos

JM Cunha Santos

E quando se pensava que as manifestações provocariam uma investida do Governo Federal e também dos governos estaduais contra o processo inflacionário que começa a mostrar a cara, no Maranhão subiu o preço do conselho. Diz um velho adágio popular que se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. Por aqui um simples conselho vai custar uma bolada aos cofres públicos, mais de 1 milhão e 200 mil reais até as próximas eleições.
O Conselho Estratégico de Macropolíticas do governo vai pagar quase 6 mil reais por mês para 206 conselheiros que trabalharão, se estiveram dispostos, duas horas mensais. E os conselheiros são ex-prefeitos e mais uma montanha de candidatos que perderam as eleições. E o único conselho que eles vão dar, inutilmente, é o mesmo para todos eles: “Não votem no Flávio Dino, votem no candidato de Roseana Sarney”. Ops, tem um outro: Não votem na Marina Silva, votem na Dilma.
Para formar esse novo Conselhão escalofobético, Roseana Sarney deve ter seguido um conselho mais antigo. Aquele que diz: “Não deixe para amanhã, o que pode fazer hoje”. Pois é, se tem que comprar cabo eleitoral em 2014, e à vista, é melhor comprar logo agora em prestações mensais. E deve ter ouvido de também aquele outro conselho: “Não pague com o seu dinheiro o que pode pagar com o dinheiro dos outros”. Dito e feito. Sem contar que sem nenhuma dúvida esse é o maior Conselho do mundo.
Tanto conselheiro junto só pode acabar em confusão. E das grossas. Vai ter gente querendo se apropriar dos conselhos dos outros, conselheiro cobrando direito autoral na Justiça por conselho e gente sendo acusada de dar o conselho errado em hora mais errada ainda. Caberia talvez um conselho à governadora. E esse de graça, sem custos adicionais, jetons, nem correção monetária: “Nada é mais perigoso que um bom conselho seguido de um mau exemplo”. E que mau exemplo, governadora!

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