Por
JM Cunha Santos
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| Kamila Arraes, diretora técnica do instituto Ruy Palhano |
Durante
cerca de 30 minutos a reportagem do Jornal Pequeno conversou com a Diretora
Técnica do Instituto Ruy Palhano, Kamila Arraes. Especializado no tratamento de
dependentes químicos, o Instituto Ruy Palhano nasceu com a proposta de oferecer
a São Luís e ao Maranhão uma oportunidade de reabilitação de pacientes
portadores de transtornos relacionados ao
consumo de substâncias como álcool e drogas.
Terapeuta,
Kamila Arraes é parte de uma equipe multidisciplinar formada por psiquiatras,
psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas e auxiliares de
enfermagem que buscam acolher, tratar e reabilitar usuários e dependentes de
drogas. No momento da entrevista ela era um dos profissionais envolvidos nas
atividades do mês de junho, quando o Instituto explora toda a diversidade
cultural maranhense, com a formação de quadrilhas de São João e Bumba-Boi,
concentrando-se na expressividade dos internos, numa festa que envolve também
seus familiares.
No
espaço terapêutico do Instituto, o “Boi Brilho da Recuperação”, cujos
brincantes são os próprios pacientes, expõe as indumentárias típicas dos
folguedos juninos e são oferecidas comidas típicas aos devotos de São João.
“Nesses momentos, temos a oportunidade de oferecer aos pacientes a vivência de
uma experiência de lazer sem o uso de substâncias psicoativas”, explica Kamila
Arraes. “É a chance de fugir da concepção de que a diversão tem que estar
atrelada ao uso de drogas”, acrescentou.
São
atividades lúdicas que se repetem no Instituo Ruy Palhano em outras datas
festivas do país, como Natal e Ano Novo e, conforme Kamila proporcionam também
a redução do stress adquirido com a internação, tornando-a mais suportável. O
carnaval, o natal, o Ano Novo, o 7 de setembro, data da independência do Brasil,
são outros momentos que os profissionais aproveitam para explorar a criatividade
e expressividade dos pacientes contidas pelo processo de dependência dessas
substâncias.
Enquanto
conversamos sobre assuntos relacionados ao tratamento e internação, como CAPS,
Hospital Dia, a precariedade da rede de serviços de prevenção e reabilitação do
uso de drogas existente no Brasil e no Estado, Kamila Arraes conta histórias
incríveis sobre o nível de dependência de pacientes que venderam tudo dentro de
casa para conseguir drogas. Impressiona a história de um paciente que vendia o
próprio lanche escolar dos filhos para adquirir as substâncias psicoativas de
sua dependência.
Quando
perguntamos sobre o crack e a relação dessa droga com os jovens e adolescentes,
Kamila refletiu e afirmou convicta que, ao contrário de outras drogas, o crack
não deu oportunidade de controle a absolutamente ninguém, uma constatação que
se percebe nos terríveis números das pesquisas sobre essa substância. Dados da
Organização Mundial de Saúde apontam que pelo menos 6 milhões de pessoas usam
drogas no Brasil, dois quais cerca de 2 milhões consomem ou já consumiram o
crack. Fulminante, o crack mata 1/3 dos usuários e 85% deles morrem de forma
violenta. Ao baixo preço de 10 reais a “pedra”, a droga, segundo a Confederação
Nacional dos Municípios, é comercializada hoje em 98% das cidades brasileiras.
Levantamento
do Conselho Federal de Medicina registrou que 442 mil crianças e adolescentes
são usuários de crack no país. Em contrapartida, são apenas 310 centros de
atenção psicossocial, especializados na questão das drogas e do alcoolismo e
apenas 59 unidades de internação.

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