Editorial,
JP 2 de julho
A partir da Teoria do Caos, que atrela as mais graves conseqüências a pequenos acontecimentos iniciais, deparamos com a quase convicção de que o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas a ponto de provocar um tufão no outro lado do mundo. E talvez que o Efeito Borboleta, identificado pela primeira vez por Edward Lorenz, esteja presente nos acontecimentos da política hoje e no que ainda está por acontecer.
A partir da Teoria do Caos, que atrela as mais graves conseqüências a pequenos acontecimentos iniciais, deparamos com a quase convicção de que o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas a ponto de provocar um tufão no outro lado do mundo. E talvez que o Efeito Borboleta, identificado pela primeira vez por Edward Lorenz, esteja presente nos acontecimentos da política hoje e no que ainda está por acontecer.
Assim,
ao não resistir à pressão dos empresários de transportes coletivos de São Paulo
e reajustar os preços das passagens em vinte centavos, o prefeito Fernando
Haddad pode ter mudado a marcha dos acontecimentos políticos daqui até 2014 e
alguns anos mais. O primeiro efeito sentido foi a queda na popularidade da
presidente Dilma Roussef que despencou vertiginosos 27 pontos. Esses 20
centavos podem ser responsáveis pela derrota de Dilma nas próximas eleições e
pelo fim da hegemonia do Partido dos Trabalhadores no poder no Brasil. E como
pretendemos mostrar, podem ser responsáveis pela vitória de Flávio Dino ou
outro candidato de oposição e pela derrota fragorosa do candidato do governo no
ano emblemático de 2014 no Maranhão.
As
grandes manifestações pelo país afora ocorrem nas capitais e os 20 centavos de
Fernando Haddad já fizeram a presidente disponibilizar 50 bilhões de reais para
solucionar o grave problema da mobilidade urbana no país. Melhor para todos os
prefeitos, inclusive para Edivaldo Holanda Júnior que com novos e gordos
recursos corre o risco de fazer a melhor administração da história de São Luís.
Melhor para Edivaldo, melhor para Flávio Dino e pior para Luis Fernando,
Sebastião Madeira ou Edison Lobão.
O
“Efeito Borboleta” tem esse poder de transformação de um futuro quase certo.
Senão vejamos: a julgar pelo poder econômico, pelo número de partidos que o
apóiam, pelo número de prefeitos, pelo volume de recursos obtidos através do
financiamento de campanhas e a capacidade de dar nó em pingo d’água parece até
natural que o governo vença em 2014 a eleição. Mas a presença do povo nas ruas
fará com que Dilma fuja de certos aliados “queimados” com a população, fará com
que o PT reveja a maioria das alianças espúrias firmadas até agora,
transformará votos inconscientes em votos conscientes, mandará para a prisão
prefeitos corruptos atrelados ao governo, tornará a Justiça mais justa e o
efeito borboleta confirmará essa tendência de trocar meras tempestades
tropicais por tornados de gigantescas proporções.
Nem
a majestosa vitória da seleção brasileira parece capaz de deter o efeito
borboleta sobre a política do país. Dilma ainda pode ficar mais desatenta à
economia, permitir a explosão da espiral inflacionária e levar o Brasil à
bancarrota. Sem dúvida que o povo crucificará todos os dominadores do país e,
assim, a constância milionária do domínio dos Sarney terá seu fim decretado por
um reajuste de 20 centavos nas passagens em São Paulo. Um reajuste que nem
sequer aconteceu em São Luís.
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