terça-feira, 2 de julho de 2013

Efeito borboleta

Editorial, JP 2 de julho

A partir da Teoria do Caos, que atrela as mais graves conseqüências a pequenos acontecimentos iniciais, deparamos com a quase convicção de que o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas a ponto de provocar um tufão no outro lado do mundo. E talvez que o Efeito Borboleta, identificado pela primeira vez por Edward Lorenz, esteja presente nos acontecimentos da política hoje e no que ainda está por acontecer.
Assim, ao não resistir à pressão dos empresários de transportes coletivos de São Paulo e reajustar os preços das passagens em vinte centavos, o prefeito Fernando Haddad pode ter mudado a marcha dos acontecimentos políticos daqui até 2014 e alguns anos mais. O primeiro efeito sentido foi a queda na popularidade da presidente Dilma Roussef que despencou vertiginosos 27 pontos. Esses 20 centavos podem ser responsáveis pela derrota de Dilma nas próximas eleições e pelo fim da hegemonia do Partido dos Trabalhadores no poder no Brasil. E como pretendemos mostrar, podem ser responsáveis pela vitória de Flávio Dino ou outro candidato de oposição e pela derrota fragorosa do candidato do governo no ano emblemático de 2014 no Maranhão.
As grandes manifestações pelo país afora ocorrem nas capitais e os 20 centavos de Fernando Haddad já fizeram a presidente disponibilizar 50 bilhões de reais para solucionar o grave problema da mobilidade urbana no país. Melhor para todos os prefeitos, inclusive para Edivaldo Holanda Júnior que com novos e gordos recursos corre o risco de fazer a melhor administração da história de São Luís. Melhor para Edivaldo, melhor para Flávio Dino e pior para Luis Fernando, Sebastião Madeira ou Edison Lobão.
O “Efeito Borboleta” tem esse poder de transformação de um futuro quase certo. Senão vejamos: a julgar pelo poder econômico, pelo número de partidos que o apóiam, pelo número de prefeitos, pelo volume de recursos obtidos através do financiamento de campanhas e a capacidade de dar nó em pingo d’água parece até natural que o governo vença em 2014 a eleição. Mas a presença do povo nas ruas fará com que Dilma fuja de certos aliados “queimados” com a população, fará com que o PT reveja a maioria das alianças espúrias firmadas até agora, transformará votos inconscientes em votos conscientes, mandará para a prisão prefeitos corruptos atrelados ao governo, tornará a Justiça mais justa e o efeito borboleta confirmará essa tendência de trocar meras tempestades tropicais por tornados de gigantescas proporções.
Nem a majestosa vitória da seleção brasileira parece capaz de deter o efeito borboleta sobre a política do país. Dilma ainda pode ficar mais desatenta à economia, permitir a explosão da espiral inflacionária e levar o Brasil à bancarrota. Sem dúvida que o povo crucificará todos os dominadores do país e, assim, a constância milionária do domínio dos Sarney terá seu fim decretado por um reajuste de 20 centavos nas passagens em São Paulo. Um reajuste que nem sequer aconteceu em São Luís. 

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