Jéssica Barros - Agência Assembleia
Foto: Biaman Prado /
Agência Assembleia
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Othelino Neto ladeado por Manoel Santos, Cunha Santos, José Salim, Ademário Cavalcante e
Márcio Jerry |
Com um valioso
resgate histórico sobre a vida de um dos mais expressivos e polêmicos
jornalistas do Maranhão, foi lançado, na noite de terça-feira (15), o livro
“Othelino: um herói da imprensa livre” do escritor Manoel Santos Neto. A
biografia conta com riqueza de detalhes toda a trajetória profissional de
Othelino Nova Alves (1911-1967), que foi brutalmente assassinado, no final da
década de 60, quando exercia o seu direito de liberdade de expressão e de
imprensa.
O biografado é avô do
presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto
(PCdoB). O lançamento do livro aconteceu no hall do Plenário Nagib Haickel, em
um ato discreto para familiares e amigos, obedecendo às normas sanitárias por
conta da pandemia da Covid-19.
Grande parte da família
do biografado e do deputado Othelino Neto acompanhou a solenidade remotamente
de diversos estados pelo aplicativo Zoom.
O livro é um relato
épico, como bem definiu o presidente do Parlamento Estadual, deputado Othelino,
que conta tanto a história do seu avô, como contextualiza o momento político,
social e, principalmente, o que era ser jornalista naquela época. Resgata
também momentos angustiantes que a imprensa viveu no Brasil a partir de
diversos regimes de exceção, como a ditadura do Estado Novo, quando Othelino
Nova Alves foi vitimado.
Em discurso emocionado,
o presidente da Assembleia, que estava acompanhado de sua esposa, Ana Paula
Lobato, destacou a importância do livro, que foi idealizado pelo seu pai,
Othelino Filho, para a sua família e a imprensa maranhense. “Sinto-me muito
emocionado e honrado pela oportunidade de prestigiar o lançamento do livro que
conta a vida do meu avô, um homem que se dedicou à imprensa livre e à sua luta
pela liberdade de expressão e de informar”, disse.

Othelino Neto e a esposa, Ana Paula Lobato, exibem a capa do livro, ao lado do autor, Manoel Santos, e de Flávia Alves Maciel |
Para Othelino, a obra é
uma forma de resgatar não só a história de luta da vida do seu avô, mas,
sobretudo, o que ele representa para a história da imprensa maranhense.
“Portanto, considero este momento muito especial não só para nossa família, mas
também para todos aqueles que militam no dia a dia da imprensa do Maranhão e do
nosso país, fundamental para o equilíbrio da sociedade”, acrescentou.
Othelino Neto também
agradeceu ao autor da obra por sua sensibilidade ao retratar a vida do saudoso
Othelino Nova Alves. “Muito bom que o Manoelzinho tenha sido o jornalista
responsável pela obra porque também é um homem do povo e que conhece a nossa
realidade. É um homem, tal qual o meu avô, que, essencialmente, defendia as
causas daqueles que mais precisavam e a combater as desigualdade e injustiças”,
completou.
EXPOSIÇÃO
O lançamento do livro contou com uma exposição da memória fotográfica de Othelino Nova Alves, retratando momentos ao lado da família e de sua trajetória como um dos mais destacados jornalistas, advogados e ativistas políticos do Maranhão. Além de apreciar a exposição fotográfica, familiares e convidados assistiram, ainda, a uma reportagem especial produzida pela TV Assembleia, resumindo a história e a trajetória de Othelino Nova Alves.
LIBERDADE DE IMPRENSA
O jornalista Ademário
Cavalcanti, acompanhado da filha, a promotora Lítia Cavalcanti, e outros
jornalistas que atuaram na imprensa na década de 60, como Cunha Santos e José
Salim, estiveram presentes na cerimônia. Também prestigiaram o evento o
procurador-geral de Justiça do Maranhão, Eduardo Nicolau, e o deputado federal
Márcio Jerry, que também é jornalista.
Cunha Santos, que
prefaciou a obra - primeiro volume de uma série de 12 livros-reportagem,
intitulada “Valha-me Deus! Notícias que não publiquei”, contendo 250 páginas,
divididas em 28 capítulos -, disse que o livro revela o nível de perseguição
que jornalistas têm sofrido a vida inteira. “Othelino Nova Alves foi escolhido
como um dos mártires da imprensa no Maranhão. Essa obra é muito importante para
que os maranhenses e as novas gerações de jornalistas tenham um exemplo claro
do que é, de fato, o exercício dessa profissão e a luta pela liberdade de
imprensa e de expressão”, assinalou o jornalista.
O radialista,
jornalista e advogado, José Salim, lembra até hoje daquele 30 de setembro de
1967. Ele trabalhava à época em um periódico e foi um dos primeiros a chegar ao
local do crime. Ele destacou a importância do registro para que não só a
história de Othelino Nova Alves se perca, mas, também, da imprensa maranhense.
“É um registro que se faz necessário até para dar exemplo aos jornalistas de
hoje em termos de combatividade e investigação. O livro também busca
concretizar o sonho do filho em ver a história do pai contada. Se vivo
estivesse, tenho certeza de que estaria conosco celebrando a alegria de ver o
legado de Othelino Nova Alves tornado pública”, completou.
O jornalista e deputado
federal Márcio Jerry (PCdoB) disse que todos aqueles que um dia militaram na
imprensa ou na política do Maranhão já ouviram pronunciar o nome de Othelino
Nova Alves como um exemplo de coragem e compromisso com a boa prática
jornalística. “Ele tinha o destemor e a coragem de utilizar o jornalismo como
uma trincheira para defender pontos de vista de uma maneira bastante
democrática. Isso marcou a sua trajetória, de modo a escrever o seu nome no
panteon da imprensa maranhense e, também, da política do nosso estado”, disse
Jerry.
SOBRE O AUTOR
Para o autor da
biografia, Manoel Santos Neto, contar a história de Othelino Nova Alves
representa um marco para a história. “Fico feliz em poder contar e resgatar a
história de vida de um homem que era impulsivo, porém firme na defesa de suas
ideias e que fazia questão de combater as injustiças, a corrupção, o
analfabetismo, a pobreza e os desmandos administrativos da época. É uma linda
história que servirá de exemplo para a geração atual e futura de jornalistas
que buscam informar com responsabilidade”, disse.
Manoel Santos Neto é
maranhense de São Luís. O jornalista, formado pela Universidade Federal do
Maranhão (UFMA), é também membro do Instituto Histórico e Geográfico do
Maranhão (IHGM) e trabalhou como repórter e redator em diversos jornais
impressos.
Foi chefe de Reportagem
e editor de Política no jornal O Estado do Maranhão e integrou a equipe
fundadora da Folha do Maranhão. Além disso, participou da equipe de redatores
do Suplemento Cultural & Literário Guesa Errante, editado pelo Jornal
Pequeno. Tem uma vasta obra no campo literário e histórico com quatro livros já
lançados.

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