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quinta-feira, 19 de março de 2015

A farra acabou

Editorial JP,19 de março

Antes de deixar o cargo, a então governadora Roseana Sarney, conforme denunciou a oposição à época, tentou transformar recursos adquiridos com empréstimos junto ao BNDES em moeda eleitoral, por meio de um Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Municípios do Maranhão (Fundema). Queria, com isso, segundo os oposicionistas de então, usar dois bilhões de reais para comprar apoio à candidatura de Lobão Filho. Como bem lembrou o deputado Othelino Neto, não deu certo, porque “movemos ação na Justiça contra o crime eleitoral e o próprio BNDES não aceitou”.
Agora, deputados remanescentes do grupo Sarney, como Andrea Murad, Adriano Sarney. Sousa Neto e Edilazio Júnior querem a nulidade do contrato com o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social para que o dinheiro que não pode ser aplicado nas eleições não seja também aplicado em obras públicas. Nem mesmo nas obras inacabadas do governo que findou.
E fica a base governista sem entender porque o Partido Verde está se desligando do Bloco Parlamentar Democrático, liderado pelo deputado Alexandre Almeida. Ora, está se retirando porque nunca esteve lá e só participou visando garantir cargos na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. As mudanças políticas que se operam no Maranhão, principalmente no que tange à transparência e honestidade nos negócios públicos, são prejudiciais à saúde do partido de Sarney Filho.
E o deputado Adriano Sarney cismou que falta um funcionário do Estado na Comissão de Licitação do governo Flávio Dino. Por isso, os “quatro mosqueteiros” de Sarney pretendem aporrinhar a Justiça propondo a anulação de todos os atos da Comissão Central de Licitação. Em outras palavras, eles querem o fim do Programa Mais IDH, querem impedir o asfaltamento da Ma 034, querem obstar a parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura de São Luís, querem a volta das terceirizações questionadas na Secretaria de Justiça e no Detran; enfim, querem perseguir o povo do Maranhão. E querem, naturalmente, que Sarney volte a ter o direito de se apropriar de prédios como o Convento das Mercês e pagar com o dinheiro do povo um culto à sua personalidade política enviesada.
Para um grupo que se acostumou a almoçar e jantar licitações fraudulentas e ganhar eleições com fraudes do tipo Fundema, a honestidade de propósitos do governo Flávio Dino incomoda. Só de imaginar que nunca mais vão poder superfaturar obras, que se acabaram as comissões, as propinas e o tráfico de influência remunerado, já começam a passar mal. É a mesma gente que privatizou a Cemar e agora briga na Justiça para que o atual governo deposite R$ 200 milhões nas contas de testas de ferro de Fernando Sarney.

Ainda não perceberam que a farra acabou, a dona do bar fugiu e a polícia está batendo na porta.

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