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segunda-feira, 4 de maio de 2015

As autoridades precisam escorraçar, de uma vez por todas, os pistoleiros que agem no Maranhão

JM Cunha Santos

Vavá
Não é de hoje que a praga da pistolagem inferniza o Maranhão, intercalando suas atividades com períodos de maior e menor intensidade. As vítimas, em geral, são lideranças rurais, quilombolas e políticos. Entre outras razões porque jamais se concretizou a tão esperada regularização fundiária nesse Estado.
Décio Sá
Desde o assassinato do jornalista Décio Sá, este blog alerta para o dever das autoridades de prender ou escorraçar do Maranhão, de uma vez por todas, os pistoleiros que aqui se alimentam de conflitos de terras e disputas paroquiais de poder. Mas a cada novo cadáver sucedem-se outros. Os crimes são cometidos quase sempre por pistoleiros em motos, resguardados por capacetes que servem de máscaras e, embora alguns sejam presos, os mandantes, em sua grande maioria, ou não são descobertos ou permanecem na impunidade, na eterna condição de suspeitos.
A pistolagem e o crime organizado fizeram tanta história no Maranhão que chegaram, inclusive, a render mandatos parlamentares, também sucessivos a muitas figuras que viviam ou viveram da prática desse crime. Além da morte de Décio, jornalista íntimo do poder cuja morte provocou comoção no estado inteiro e serviu para deixar claro que a bandidagem rica do Maranhão não teme o poder público, outros crimes de encomenda entraram para a História, desde que a pistolagem voltou a atuar no Estado, a partir do ano de 2010.
O prefeito de São José dos Basílios, Chico Riograndense. foi morto com cinco tiros de pistola calibre 380 por pistoleiros motorizados. Num crime atribuído ao ex-deputado Edilson Peixoto foi morto, também por pistoleiros, o vereador do município de Dom Pedro, Diego Gomes de Freitas. 13 dias depois, Edilson Peixoto caía crivado de balas por outros pistoleiros contratados em mais um crime de encomenda.
Cálculos não oficiais indicam que dos quase 1000 assassinatos ocorridos no Maranhão no ano de 2014, pelo menos 40 por cento aconteceram com as assinaturas de pistoleiros, incluindo aí os homicídios cometidos em virtude de disputas entre facções criminosas dedicadas ao tráfico de drogas.
A Comissão Pastoral da Terra denunciou, nesse período, a existência de 174 conflitos violentos na disputa pela terra, como consequência da invasão das monoculturas no Estado. E a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos chegou a divulgar uma lista com os nomes de mais de 50 pessoas marcadas para morrer. Uma lista guardada a ferro e fogo por pistoleiros que atuavam no Maranhão. A verdade é que o Estado jamais agiu para conter essa sanha assassina e caiu crivado de balas o líder do Quilombo Charco, Flaviano Neto, no município de São Vicente de Ferrer, no outubro do ano de 2010. Os quilombolas chegaram a acampar nas portas do Palácio dos Leões, do Tribunal de Justiça e fizeram greve de fome no Instituto de Colonização e Reforma Agrária, (INCRA) mas a grilagem continua predominando, as monoculturas continuam devastando terras férteis e os pistoleiros continuam agindo impunemente no Estado.

Ontem, um crime de encomenda ceifou a vida do vereador e presidente da Câmara Municipal de Santa Luzia do Tide, Cícero Ferreira da Silva, o Vavá. Até a conclusão dessa matéria, não tínhamos notícias sobre as razões que levaram à execução do vereador do PC do B ou sobre os nomes dos pistoleiros e mandantes. Mas é mais um crime odioso e violento que nos leva a repetir: As autoridades precisam escorraçar, de uma vez por todas, os pistoleiros que agem no Maranhão.

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