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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ficar aqui

Editorial JP, 27 de janeiro
Quando um jornalista tem em mãos uma boa história, dessas que reacendem o mito da justiça presente em todas as culturas e desperta o anjo vingador dos fracos e oprimidos, fica ainda mais difícil romper com os ideais que o levaram a escolher essa profissão. Ele não terá como esconder ou manipular informações, a nenhum preço, sem que antes se trave uma batalha interior entre seus princípios e suas escolhas pessoais.
Jornalistas, afinal, são escritores do dia a dia, que lidam com histórias reais, nunca com obras de ficção. Por isso, volta e meia, se debatem entre a censura e a autocensura que lhes é impingida por detentores do poder. Evidente que alguns acabam cedendo às mistificações até o ponto de dispensarem a realidade, até o ponto de, como evidenciou Erasmo de Roterdã, se tornarem incapazes de dizer o que realmente pensam e, assim, burlar a sociedade.
Boas histórias estão sendo registradas na esteira do Plano Mais IDH. De pessoas que estavam prontas para deixar o Maranhão, abandonar suas roças, trocar o torrão onde nasceram e se criaram por aventuras perigosas nas metrópoles ou promessas megalomaníacas de ótimos salários que, quase sempre, os conduziriam ao trabalho escravo.
Histórias que contam o périplo da Caravana Bolsa Escola, contam da entrega de 28 unidades odontológicas móveis, de um singular movimento de alfabetização, da execução do programa Mais Asfalto em dezenas de cidades maranhenses.
E inclua-se aí o programa Escola Digna, substituindo prédios de palha por escolas de alvenaria nas cidades com menor IDH do Brasil. Serão 300 unidades construídas, além das centenas de reformas, como citou em artigo o governador do Maranhão. E equipes médicas e de enfermagem realizando milhares de atendimentos nos primeiros meses de sua atuação. O combate à mortalidade materna, hanseníase, diabetes, hipertensão e mortalidade infantil.
Um ataque do governo ao êxodo rural, à diáspora que entupiu as cidades e esvaziou o campo durante décadas sucessivas no Maranhão.

Esperamos tempo demais para contar essas histórias de uma gente empobrecida que não mais terá razões para fugir do Estado, que readquiriu o direito de viver em sua terra ao simples aceno de uma nova mentalidade política que privilegia a justiça social. Ficar aqui, para vencer as desigualdades, proteger-se e proteger o patrimônio do povo e dar passos cada vez mais longos no caminho da libertação. Ficar aqui, sem correr riscos de mais injustiças, ficar aqui e contar histórias que somente o jornalismo sabe contar.

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