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sábado, 2 de abril de 2016

A licitação do transporte em São Luís

Editorial JP, 2 de abril
E ouvem os maranhenses, provavelmente desde que deixamos de andar de barco, as mais incríveis histórias sobre o Sistema de Transporte Público de São Luís. Histórias sobre mostrengos de lata, mais cavalgando que circulando, entupidos de passageiros que, ao sol quente do meio dia, ou estafados do trabalho durante a noite, se espremiam como sardinhas em lata em insuportáveis horas diárias de uma inevitável via crucis.
Prefeitos vieram e se foram, promessas foram feitas e desfeitas e as décadas se passaram sem que nunca uma única solução fosse sequer tentada para resolver um dos mais graves dilemas do povo de São Luís. A cidade cresceu, às vezes até inchou e a província mal habitada de outros tempos ultrapassou 1 milhão de habitantes. Ganhou arranha céus, torres de vidro, hotéis de luxo, milhares de automóveis e... invasões.
Mesmo assim, a situação do transporte público encontrada quando assumiu o atual prefeito, Edivaldo Holanda, era mais ou menos a mesma. Um desafio se impunha: aliviar a carga de sofrimento do espremido e suado povo de São Luís. Só que não era tão simples. Nunca houvera uma licitação neste setor! O usuário de transporte sequer tinha conhecimento do que era bilhetagem eletrônica e os monopólios, sustentados muitas das vezes no financiamento de campanhas políticas, pareciam inquebrantáveis. Havia que ter coragem para mexer nesse vespeiro, quebrar esse monopólio, ainda mais que por tantos anos permitido que alguns empresários do setor já se sentiam donatários dessa concessão do serviço público.
Agora, finalmente, dezenas de anos depois, o prefeito Edivaldo Holanda lança o edital de licitação do transporte público de São Luís! Num quadro em que somente 27 empresas, com 864 ônibus e 168 linhas pretendem atender a 550 mil usuários, o compromisso de campanha do prefeito, a licitação do transporte público, doesse a quem doesse, precisava ser cumprido. E ele cumpriu!
Não se trata, a licitação do transporte público, de um simples ato normativo. A livre concorrência permitirá a substituição imediata de 200 coletivos e em um ano todos os ônibus circulando na capital estarão climatizados. E a licitação veio depois de vencidas etapas como a Bilhetagem Eletrônica, o Bilhete Único, o Bilhete Único de Integração Temporal, a Recarga Embarcada e a Biometria Facial. Além da possibilidade, que vem com a licitação, de inserção no sistema do ônibus biarticulado.

Uma única gestão e quase tudo que jamais aconteceu no sistema público de transportes aconteceu agora. E tantos foram os prefeitos, tantas as reivindicações de vereadores e deputados para que todas essas etapas se concluíssem sem que nada se concretizasse. A pressa da população é natural, mas se formos pensar no tempo, é preciso pensar também no tempo todo das dezenas de gestões passadas, dezenas de anos, em que nada do que foi feito pelo transporte público de São Luís, nos últimos três anos, aconteceu. 

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