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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Depois da Montanha de Diamante, Lobão aparece envolvido com os “Papéis do Panamá”

A toda hora o nome do senador maranhense Edison Lobão, ex-ministro das Minas e Energias, surge em escândalos de corrupção. Jrge Nurkin, ex-dirigente da Diamond Moutain (em tradução literal Montanha de Diamantes), acusou Lobão de ser sócio dessa holding sediada nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal caribenho. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás preso na Operação Lava Jato o acusou de pedir R$ 1 milhão para favorecer o consórcio da UTC Engenharia nas obras de Angra 3.  O nome de Lobão aparece agora no escândalo de abertura de ofshores no exterior, os chamados “Papeis do Panamá”.

El País


Acaba de ser divulgada uma investigação jornalística mundial sobre a Mossack Fonseca – empresa do Panamá que se dedica à abertura de offshores no exterior – que revela uma ampla listagem de políticos e outras personalidades públicas que mantêm seu dinheiro (de maneira ilegal ou lícita) em paraísos fiscais.
A reportagem, uma iniciativa do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, com a participação de veículos de mídia brasileiros, contém mais de 11 milhões de documentos de cerca de 200.000 offshores ligadas a pessoas de uns 200 países. Entre eles, está o Brasil, cujas investigações sobre o esquema de corrupção da Petrobras contribuíram com o vazamento de dados confidenciais da Mossack Fonseca – já que o escritório brasileiro da empresa foi alvo da 22a fase (Triplo X) da Operação Lava Jato.
Aparecem entre os envolvidos nos chamados "papéis do Panamá" os nomes do Presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB-AL) e do ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). A força-tarefa da Lava Jato investigou o escritório brasileiro por conta da suspeita de que a Mossack estivesse ajudando o ex-presidente Lula a ocultar a verdadeira propriedade do tríplex do Guarujá.
Mas seu nome não apareceu entre os clientes da empresa panamenha até o momento.
Ao menos 57 brasileiros já relacionados à investigação da Polícia Federal aparecem nos documentos, ligados a mais de cem offshores criadas em paraísos fiscais. Duas delas, por exemplo, foram criadas pela Mossack para Luiz Eduardo da Rocha Soares e Olívio Rodrigues Dutra, acusados de operar contas secretas da empreiteira Odebrecht. Há ainda nomes desconhecidos dos investigadores brasileiros, que deverão somar-se ao processo capitaneado por Sérgio Moro no Ministério Público do Paraná.
Por meio de sua assessoria, Eduardo Cunha negou ser proprietário de qualquer empresa offshore. “O presidente Eduardo Cunha desmente, com veemência, estas informações. O presidente não conhece esta pessoa [David Muino, intermediário de uma companhia que se chama Stingdale Holdings Inc] e desafia qualquer um a provar que tem relação com companhia offshore”.

A mais ampla reportagem global sobre empresas em paraísos fiscais, conduzida por 109 veículos jornalísticos em 76 países, teve início quando uma fonte forneceu os documentos ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung. No Brasil, participam da investigação o jornal Estado de S.Paulo, o UOL e a Rede TV.

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