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terça-feira, 19 de abril de 2016

Proteção à italiana

Editorial JP, 19 de abril
Assim que se encerrou na Itália a “Operação Mãos Limpas”, que mandou para a cadeia mafiosos, empresários e políticos corruptos, a classe política dedicou-se a confeccionar uma legislação destinada a torpedear um princípio ínclito em praticamente todas as Constituições do mundo: o de que todos são iguais perante a lei. Com isso, criou uma carapaça inoxidável para proteger corruptos de toda ação policial.
No Brasil, mais especificamente no Maranhão, discute-se, hoje, quais seriam as reais motivações para o apoio do grupo Sarney ao impeachment da presidente Dilma e demolição do Partido dos Trabalhadores. Os Sarney, afinal, receberam tudo do PT para garantir a manutenção do poder no Maranhão. Cargos, ministérios, a cassação de Jackson Lago, intervenção no PT local e, como bem lembrou o jornalista John Cutrim, um estelionato eleitoral, a refinaria de Bacabeira, que turbinou a campanha de Roseana Sarney em 2010.
Por tudo isso, essa é a mais profunda e estranha traição nesta fase crítica da política brasileira. Estranha, mas compreensível. Desde a Operação Faktor, quando encheram a barrica com dinheiro público, parentes, aderentes e encostados de Sarney vivem na mira da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. A única saída para quase todos eles parece ser a conquista de um foro privilegiado que arraste interminavelmente seus processos na Justiça.
O ex-secretário Ricardo Murad foi conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal por determinação da Justiça Federal. Talvez precise urgentemente de um foro privilegiado. Roseana Sarney, com o peso das maletas do Hotel Luzeiros e as delações premiadas de Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, dentre outros, deve precisar de pelos menos umas três dúzias de foros privilegiados.
O senador Edison Lobão, citado em quase tudo que envolve corrupção e Lava Jato, já tem foro privilegiado, mas nessas condições, um só não basta e 50 não serão bastante. Até a terceira geração de Sarney, o deputado Adriano, em virtude de malversações consignadas no Senado da República, tem contas a ajustar com a Justiça.
Ninguém duvide de que, no eventual afastamento definitivo de Dilma Roussef, com tantos políticos no Brasil com a espada da Justiça sobre a cabeça, o Congresso do corrupto Eduardo Cunha engendre uma proteção à italiana, uma legislação que condicione os órgãos de controle a só vigiar, investigar e processar os pobres entre os mais pobres; corruptos, jamais.

Para este Congresso, com pelo menos 150 parlamentares acusados dos mais diversos crimes, o desmantelamento da legislação que permitiu a Lava Jato, assim que Temer e Cunha assumirem o poder, é questão de vida ou morte. Ninguém mais vai querer saber onde Eduardo Cunha escondeu quarenta milhões de dólares.  Entretanto, encontrar soluções para os incontáveis problemas dos Sarney com o Ministério Público e a Polícia Federal é tão difícil que, desarmados os espíritos, nos cabem algumas sugestões: Colocar o velho Sarney na Casa Civil manipulando marionetes, nomear Roseana Sarney ministra da Justiça, Ricardo Murad ministro da Saúde e Adriano Sarney superintendente da Polícia Federal no Brasil. Só assim seus problemas estarão resolvidos. No melhor estilo pós “Operação Mãos Limpas”.

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