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domingo, 29 de maio de 2016

65 Anos – O Jornal Pequeno recebe o futuro

Editorial JP, 29 de maio


É... Atravessar o tempo não é fácil; não é fácil vir de tão longe, assentar-se, ocupar espaços nas almas e nos corações. Atravessar o tempo com uma proposta de liberdade, de expressão livre, deixando para trás os cadeados e ferrolhos, misturando-se aos menores para ser grande, continuando a cada queda, erguendo os pulsos e os olhos em defesa de um povo, contando a História de um Estado e de um país no papel em branco das incertezas. Não foi fácil.
Os 65 anos do Jornal Pequeno atravessam o tempo. Viemos de outro século, juntamos duas eras entre palavras de chumbo, de madeira e palavras satelitizadas na uniformidade dos sites do futuro que chegou.
Quantas guerras guerreamos, quantos processos suportamos, quanto poder enfrentamos, quantas vezes acordamos com a injustiça batendo em nossas portas e... continuamos aqui. O jornal pequeno entre gigantes, redatores humildes entre sumidades acadêmicas, soberbos cultores da paz e de um mundo melhor de se viver.
Por lidar com a notícia, fomos notificados; por não aceitar agressões, fomos agredidos; por um instinto de liberdade, fomos censurados e pelo coração de um povo permanecemos amados. Mas nos orgulhamos de que muitas vezes os Golias não tenham resistido à pedra de luz em nossa Funda, ao barulho irresistível de nosso grito por Justiça, à nossa singular capacidade de jamais curvar ante ditaduras e autoritarismos.
Aos 65 anos, o Jornal Pequeno recebe, com palmas, o futuro; longe, bem longe dos gritos dos pregoeiros que desconheciam a realidade da web e das redes sociais, mas, mesmo assim, anunciavam, das manchetes garrafais do Jornal Pequeno, o Direito e a Dignidade tantas vezes conspurcados de cada homem e mulher do Maranhão e do Brasil.
Falamos, quando as armas exigiam silêncio, dissemos sempre o que foi proibido dizer. Pagamos o preço de ser a multidão, de repetir a alma dos desvalidos e ignorados, no tempo; no tempo que nos alcança para a terceira idade de uma insubstituível vocação: a de ser voz e estar nas gargantas dos injustiçados.

Alguém disse uma vez: “Se nos prenderem, se nos matarem, ainda assim nós estaremos de volta e...seremos milhões”. Nós, a despeito de todas as ameaças e tentativas de remoção, nem precisamos voltar. Continuamos aqui. E, a julgar pelas injustiças que ainda denunciamos, continuamos milhões.

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