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quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Ministério de Michel Temer

William / Agência O Globo


BRASÍLIA — O vice-presidente Michel Temer chega ao dia do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo com seu Ministério praticamente pronto, sem notáveis, como pretendia, e exclusivamente integrado por políticos dos partidos que formarão sua base. Depois que decidiu cortar dez dos atuais 32 ministérios, o peemedebista avançou, na terça-feira, nas negociações com os partidos aliados, que aceitaram reduzir a pressão por indicações no primeiro escalão.
Entre as soluções encontradas por Temer para acomodar os partidos que comporão sua base está, por exemplo, a indicação do deputado Roberto Freire (PPS) para a Secretaria de Cultura, que ficará dentro do Ministério da Educação, pasta que será comandada pelo deputado Mendonça Filho (DEM). O mesmo ocorrerá com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, que deixa de ser ministério e ficará com o Solidariedade, sob o guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Social. A pasta foi prometida ao deputado Osmar Terra (PMDB-RS).
SECRETARIAS PERDEM STATUS DE MINISTÉRIO
As secretarias de Portos e Aviação Civil perderão o status de ministério e serão parte do Ministério dos Transportes, que será comandado pelo deputado Maurício Quintella Lessa (PR). Mas Temer as utilizará para acomodar aliados. A secretaria de Portos ficará com o peemedebista Helder Barbalho, e a Aviação Civil, com Dario Rais Lopes, considerado um técnico aliado de Kassab, mas indicado pelo PR.

Henrique Meirelles
Um dos primeiros nomes definidos, Meirelles será o Ministro da Fazenda e Previdência e já vem se reunindo com sua equipe para definir a reforma da Previdência.
Ciência e Tecnologia, que deixará de ser ministério e ficará dentro do Ministério das Comunicações, ficará com o PSD. Antes, foi oferecida ao PRB, mas Temer recuou. Quanto ao PRB, há impasse. Nenhuma oferta do peemedebista agradou ao partido. Segundo deputados da legenda, Temer ofereceu o Ministério do Esporte, mas o partido ligado à Igreja Universal não quer retornar à pasta. Também avalia como insuficiente ocupar uma secretaria sem status de ministério.
O PSC deve ficar com o INSS, mas o partido deseja mais espaço na gestão Temer. Com a ida do Solidariedade para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, o PTB deve ficar com o Ministério do Trabalho. O nome ainda está sendo discutido.
Das 22 pastas que serão mantidas em seu eventual governo, 14 já têm nomes definidos. Há dúvidas, ainda, quanto aos ministérios da Defesa, Indústria e Comércio, Esporte, Integração Nacional, Turismo e Minas e Energia
Na terça-feira, a tendência era de que Raul Jungmann (PPS) ficasse com a Defesa, mas ainda não foi batido o martelo. Emissários de Temer ainda tentam convencer o tucano Tasso Jereissatti a aceitar convite para o o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio.
PICCIANI DEVE ABRIR MÃO DO ESPORTE
No Esporte, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) foi convidado por Temer e aceitou. No entanto, como a bancada do PMDB na Câmara deverá ficar com duas pastas, ele poderá abrir mão e indicar um nome de sua preferência.
A Integração Nacional havia sido oferecida ao PSB, mas o PMDB do Senado resolveu pedi-la liberando o Ministério de Minas e Energia. Há impasse, porque uma parte do PSB quer a Integração. No Turismo, Temer poderá indicar Henrique Eduardo Alves, mas como há pouco espaço para muitos partidos, ainda está pendente.
Na tarde de terça-feira, Temer se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para buscar apoio ao corte de dez ministérios que pretende promover se assumir o governo. Além de redução de ministérios, os dois falaram sobre a sessão de votação da abertura do processo de impeachment, marcada para esta quarta-feira.
 Ele, fundamentalmente, se reportou à reforma do Estado que está querendo fazer, à redução de ministérios, cargos em comissão, funções gratificadas. Ele está muito entusiasmado com essa reforma do Estado, que acho oportuna. E a sociedade está esperando isso — disse Renan ao deixar o encontro.
Contra a vontade da bancada da Câmara, a Executiva do PSB aprovou, na terça-feira, um documento, que será encaminhado a Temer, comunicando que o partido não participará nem chancelará a indicação de algum nome da legenda para o ministério do governo de transição.
O documento critica o presidencialismo de coalizão e prioriza a agenda de reformas. “A forma de composição do governo, no que se refere a contribuição do PSB, não pode seguir os protocolos tradicionais do presidencialismo de coalizão”.
Ao fim de um dia de debates que mostrou divergências de parlamentares com a cúpula, o PSB decidiu, porém, que não vetará a ida de membros se Temer convidar. Há uma disputa pela indicação entre o deputado Fernando Coelho (PE) e o senador Roberto Rocha (MA), que comunicou ao presidente do partido, Carlos Siqueira, interesse na vaga, provavelmente a de Minas e Energia. O fato de o senador Fernando Bezerra Coelho (PE) estar negociando com Geddel Vieira Lima a indicação do filho irritou os outros senadores que defendem apoio sem cargos.

(Colaboraram Martha Beck, Cristiane Jungblut, Eduardo Bresciani e Maria Lima)

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