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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A grande falha na macumba estragada de Sarney

JM Cunha Santos


O espírito Bita do Barão ficou confuso, quase penalizado. Nunca tinha visto seu mestre daquele jeito, nunca tinha percebido tanto desespero na voz embargada do pantomímico ex-senador. Nunca, em nenhuma das vezes em que atendeu aos pedidos para despachar adversários políticos para terras de Xangô ou vizinhas da Conchinchina, Sarney lhe pareceu tão desesperado. Ele se contorcia, se debatia e, pela primeira vez, implorava.
- Me livra desse homem. Ele tá acabando com tudo. Não tem mais agiotagem, não tem mais licitação fraudulenta, não tem mais superfaturamento. O cara é um desastre político. O Flávio Dino tem que cair.
- Misinfio, já lhe ajudei muito - Bita do Barão respondeu. Já resolvi muito problema seu. Até lhe fiz presidente. Mas há de convir que colocar mandinga em comunista cristão é uma tarefa muito pesada, que talvez esteja muito além das minhas forças mediúnicas. Não sei se meus cabocos vão dar conta. Vai sair muito caro. Vai ter que mexer naquela poupança da Transpetro.
- Me ajude, eu pago. Já fiz de tudo. Inventei escândalos, botei a mídia curupuana pra mentir até largar o couro da boca, convoquei viúvas do DOI-CODI na Rede Globo, mas o cara nem se abala. Ele tem que cair, ele tem que cair, faça alguma coisa.
- Não é tarefa pra qualquer Orixá. Tou vendo aqui nos búzios que o cabra é protegido do Caboco Marxista e guardado pelo manto das “entidades” sociais. São espíritos muito fortes, não sei se eu posso enfrentar isso. Só se eu invocar Exu Caveira e com esse todo tipo de infortúnio pode acontecer, até o feitiço virar contra o feiticeiro. Você quer arriscar?
- Invoque todos os exus, todos os vodus, todos os capetas dos mundos nus, as forças ocultas que puder. O que eu não posso é suportar um sujeito que não usa a crise econômica como desculpa para atrasar e reduzir os salários dos funcionários públicos, que paga professores melhor que o país todo, que reduz a mortalidade infantil e a mortalidade materna, diminui a criminalidade, promove policiais e equipa a polícia, limpa as praias dos coliformes sarnentos e põe fim às terceirizações arranjadas e chacinas no sistema penitenciário. Isso é a própria antipolítica, é demais para a saúde de alguém como eu.
Meu jornal está falindo, não consigo mais transferir nenhum milhãozinho do Estado para minha TV. Derruba o Flávio Dino, eu imploro, por favor, derruba meu Rei!
- Misinfio, um pedido seu, bem pago, é uma ordem.
E os tambores estrondaram desde a gruta fantasma de Bita do Barão até os confins da África. O Palácio dos Leões amanheceu cercado de poções malignas, de dentro das selvas disparavam orações da cabra preta, rogaram tantas pragas e maldições sobre o Maranhão que até a terra tremeu. Feitiços de afastamento, sarneisistas mal diagnosticados se comunicando com os mortos, pentagramas surgindo nas secretarias de Estado, maldições gritadas à meia-noite, velas pretas iluminando as artes escuras, de tudo se viu no Maranhão naqueles dias.
E quando, numa sexta-feira 13, o governador Flávio Dino se preparava para anunciar a construção de mais escolas, caiu da cadeira. E Sarney, vendo tudo por sua TV que pode ser arrendada a qualquer momento, lançou mais pragas e maldições, desta vez contra Bita do Barão e seu séquito de espíritos ruins:
- Cambada de espírito burro, voltem todos para as trevas. Ele tinha que cair do governo e não da cadeira.
E, aos prantos, olhando fixamente nos olhos do deputado Hildo Rocha, começou um discurso que não acabaria mais:

Brasileiros e brasileiras, assim não pode, assim não dá!

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