JM Cunha Santos
Leio no periódico do Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís a constrangedora e comovente história do empregado afastado da Alumar, William de Jesus Lopes, 34 anos, 8 dedicados à multinacional. Ele adquiriu uma rara doença no ambiente de trabalho.
William trabalhava na Central de Veículo Industrial operando empilhadeira, varredeira mecânica, carregadeira e manuseando materiais altamente tóxicos como fluoreto de alumínio, carbonato de sódio, resíduo de banho e anodo gasto. Na sala de cubas, onde fica o coração da linha de produção da Alumar.
Com o tempo, William passou a sentir distensão na coluna e fortes dores no corpo sendo internado no Hospital São Domingos. Ao invés de ser remanejado para local menos insalubre, William ouviu da empresa que tinha sido contratado para trabalhar e não podia escolher área ou local.
Quando retornou à sala de cubas, as fortes dores no joelho de William, diagnosticadas pelo médico da Alumar como tendinite, o obrigaram a uma operação conjunta do joelho e da coluna. Mas, a despeito da operação, as dores no corpo, somadas a febre e ao inchaço, só aumentaram a cada dia.
A empresa nunca reconheceu a intoxicação de William por alumínio e o trabalhador teve dificuldades para obter um laudo médico comprovando que adoeceu trabalhando. Em suas palavras: “constatei que alguns médicos em São Luís não tinham independência e ética para preencher o laudo com o diagnóstico correto. Pressionados pela Alumar, eles me enrolavam porque tinham medo de perder o convênio com a empresa”.
Mas a história de William tem lances ainda mais constrangedores para a multinacional do Alumínio. Hoje ele recebe auxílio doença do INSS (Código 31), arquitetado pela empresa como se tivesse adoecido por causas naturais. Deveria estar sendo atendido pelo Código 91 e recebendo Auxílio Acidente e Doença do Trabalho. O direito de ser tratado em São Paulo foi conquistado pelo Sindicato, através da Justiça que obrigou a Alumar a pagar o tratamento. Médicos da Faculdade de Medicina da USP (São Paulo) detectaram que ele está com intoxicação nos ossos causada por alumínio, sendo este o primeiro caso diagnosticado no Brasil, sem registro até o momento na literatura médica. William toma morfina para controlar a dor, mas já se sujeitou a testar um medicamento inédito. “Tanto para buscar minha cura, quanto para ajudar futuros pacientes advindos da Alumar, que poderão estar intoxicados como eu”, afirma. William de Jesus Lopes tem notícias de que os efeitos colaterais desse novo remédio podem causar cegueira e outros danos irreversíveis, mas diz confiar em Deus, nos médicos, na sua família e no Sindicato dos Metalúrgicos.
Enquanto amarga um terrível sentimento de injustiça com relação à empresa que tentou se livrar dele demitindo-o, William de Jesus conta que em decorrência de sua doença os médicos em São Paulo começam a questionar se não existem outros casos semelhantes de Doença do Trabalho na Alumar. E o SINDMETAL está identificando trabalhadores com os mesmos sintomas na empresa.
Um trecho do relatório médico da Faculdade de Medicina de São Paulo, assinado pelos doutores Arnaldo Lichtenstein e Lígia Ivanovic, resume o sofrimento do operário da Alumar: “O paciente apresenta osteonecrose em diversas localizações ósseas cuja manifestação clínica principal é a dor óssea. Seu tratamento envolve analgesia e seguimento ortopédico para abordagem cirúrgica caso necessário (em seguimento com Ortopedia). Não há até o presente momento na literatura médica relato causal entre alumínio e osteonecrose. No entanto, não podemos afastar a possibilidade do depósito de alumínio contribuir para a dor óssea desse paciente”.
William está afastado da Alumar a mais de quatro anos, desde maio de 2005, e como, certamente, não é ele o único operário a manusear materiais altamente tóxicos na empresa, talvez fosse o caso das autoridades da saúde do Estado investigarem o que pode estar acontecendo com os operários que trabalham na linha de produção da Alumar.
E quantos William existem pelo mundo afora.
ResponderExcluirAbsurdamente, O MUNDO, que deveria ser de todos, pertence a uma casta pdre e que se julga soberana, acima do bem e do mal.
Não tenho mais esperanças, meu amigo.
Os vícios já estão tão arraigados que uma mudança torna-se UTOPIA.
Abraços e bom domingo