JM Cunha Santos
EPISÓDIO DE HOJE:
O Natal do detetive Froxô
O filho de 9 anos do detetive Froxô pediu de presente de Natal um helicóptero. Um de verdade, daqueles que já vem com doentes e que nunca deixam o pátio da Secretaria de Saúde do Estado.
Sua filha mais velha, influenciada pelo noticiário nacional, pediu uma dúzia de baralhos novos, motivo pelo qual era urgente uma audiência do detetive com a governadora. A menina perturbava os ouvidos repetindo aquele maldito slogan o tempo todo: “De volta ao baralho, de volta ao baralho”...
Um outro filho, destrambelhado, drogado, alcoólatra, queria porque queria que seu pai usasse a influência para lhe conseguir um mandato nas eleições do ano que vem. De presente, pediu um desembargador.
A filha nubente do detetive, estava a enchê-lo de vergonha, pois, exibindo os seios túrgidos em via pública, exigia como presente de 15 anos uma festa no Convento das Mercês.
Um sobrinho doido de Froxô, filiado ao PT, lembrou que o detetive já tinha funcionado como segurança particular da governadora e, com base nesta ocorrência passageira, exigia ser presidente do Partido.
Assim, o Natal do detetive Froxô era uma confusão imensa. Do interior vieram dezenas de seus parentes, todos munidos de sub-registro civil; todos querendo uma vaga no Senado. E quando o detetive falava que aquilo não era possível, ouvia um coro infernal: “nós aceita ser secreto, nós aceita ser secreto”.
Só de pensar no futuro de suas crianças, o detetive faltava enlouquecer. Um queria ser governador, mas eleito por um tribunal; o outro estava concluindo enfermagem, mas só arriscava uma monografia se mudassem o Secretário de Saúde; um terceiro queria ser Amo de Boi, desde que lhe garantissem que a próxima eleição não mudaria o Governo. Tinha um que aceitava seguir a carreira policial. Desde que lhe fosse garantido que jamais investigaria Fernando Sarney. Um outro disse que não ia mais estudar, ia era namorar a neta de alguém muito corrupto e muito importante.
Pensava o detetive nessas coisas quando o trenó parou ao seu lado.
- Papai Noel! Papai Noel! O que faz aqui, meu bom velinho? Ah, veio trazer presentes, como sempre.
- Não. Desta vez não. Vim assumir,
- Assumir o quê? O governo do Estado, alguma Secretaria? Tem Tribunal lá no céu também – Froxô perguntou muito esperançoso.
- Não. Vim assumir o cargo de Gerente de Arraial. Esse é meu sobrinho. Vai ser Diretor Financeiro do Marafolia. Essa é minha sobrinha. Vai ser Consultora Sexy do Convento das Mercês. Estes cargos dão muito mais lucros e muito mais votos que qualquer Secretaria, detetive besta.
Froxô se aproveitou de uma distração de papai Noel, se apossou do trenó, atiçou as renas e seguiu rumo ao Pólo Norte, onde passou o Natal e o Ano Novo, discutindo na Groenlândia sobre o futuro do Maranhão.

JMCunha Santos: obrigada elas palavras gentis que deixaste no Lusibero e que eu não consigo saber em que post foi!
ResponderExcluirBeijo amigo para ti, boas testas...e obrigada por seres meu amigo.
LUSIBERO