quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os estadistas também amam

JM Cunha Santos

Um inesperado caso de amor em nível republicano está deixando alguns partidos da base aliada do Governo Federal assustados, para não dizer inseguros. Nos meios políticos de Brasília quase não se fala de outra coisa que não seja o namoro que estaria acontecendo entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a presidente Dilma Roussef.

Não se trata, evidentemente, de nada parecido com a tragédia shakespeareana de Romeu e Julieta, escrita entre os anos de 1591 e 1595, mas todos sabem que Fernando Henrique Cardoso e Dilma Roussef pertencem a famílias políticas bem diferentes e também rivais, assim como os Montechios e Capuletos.

As versões diversas da já não tão secreta história de amor se a muitos apavora, a outros extasia. O PMDB, por exemplo, anda às cegas, furioso, atrás de saber que foi o Cupido responsável por tão desastrado encontro de corações. Já o PSDB acompanha a novela com a mesma sofreguidão e paixão da dona de casa que acredita que no teatro das ilusões todas as cenas são verdadeiras.

Isso faz lembrar, sem nenhum mau agouro, que a morte de Romeu e Julieta acabou unindo as famílias dos Montechios e Capuletos, mas como FHC e Dilma são bem adultos, o temor é que o amor dos dois acabe unindo o PT e o PSDB.

Em depressão, o PMDB estaria à procura da Ama da presidente Dilma, alguém capaz de convencê-la a não aceitar o cortejo de Fernando Henrique Cardoso. Alguns acham que já é tarde para isso, outros crêem que tal história pode até não ser verdadeira e que os constantes encontros teriam mais razões políticas que razões de amor. As duas versões apavoram o PMDB.

Aparentemente, a Nação brasileira teria muito a ganhar com a verdade desse amor. São dois estadistas que já demonstraram que amam este país. Mas como no amor e na guerra tudo vale, o melhor é lembrar que na política também é assim. Como dois adolescentes de famílias que se odeiam, Dilma e Fernando vão ter que se proteger de ocasionais perseguições até provar que os estadistas também amam.

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