sexta-feira, 12 de outubro de 2012

LARISSA E A CÓLICA EMOCIONAL


JM Cunha Santos

1 – A MACA
Prostro-me aos Teus pés, prostro-me sentindo
que os mares secam e se corrompe a sedução
se ela viveu entre o amor e a inflamação
se a filha toda que o tempo todo estou parindo
é dona absoluta de uma alma que indo e vindo
não quer seu corpo, quer apenas solidão
 
Livrai-a, Senhor, da dor rasgada que reprime
no berço infame da exclusão emocional
dessa existência vil, desse estertor paranormal  
de quem morrendo tanto se tornou meu crime
de quem se balançando ao fundo fosso da moral
tornou-se, em mil governos, a suicida oficial
de um parlamento que o silêncio oprime
 
Deus, a minha santa engasgada está sofrendo -
- morre só essa vez, filhinha, por favor, não morre mais -
e prostro-me neste chão de barbitúricos letais
que ela engoliu e me engoliu quase sabendo:
não acabou, ainda hoje eu a estou fazendo
e ela tem pressa de tornar-se nunca mais
 
2 – A AMBULÂNCIA
Ó caleça maldita que buzina sofrimentos
e degredados transporta a tantas Babilônias
São seres vivos? Não são seres, são insônias
e como Lara não suporta pensamentos
eis que me esfolo por horror de seus tormentos
e me adianto ao meu velório em cerimônias
 
Ó carro de angústias que uiva na meia-noite
- sangue de espírito escorre em minhas mãos -
também eu uivo escravizado à obsessão
pelo chicote, pela horror e pelo açoite
por outro monstro a vigiar mais um pernoite
da minha/dela extenuante compulsão
 
Prostro-me, Senhor, ateu de todas as crenças
herege em qualquer Olimpo, aleijado espiritual
o sangue da alma é o nosso sangue natural
por isso imploro que nos veja as diferenças
- Outros castigos, outra sorte, outras sentenças
e menos dores do que sente um ser normal
 
3 – A UTI
É aqui neste hospital a Terra Prometida,
o sótão de Caronte, o saguão de William Blake
é aqui que reside o triste lobo da estepe
e os que não viveram vem perder a vida?
- Que se esbagace, pois, a alma mais sofrida
porém no corpo dela outra dor jamais se estrepe
 
Eu vi Voltaire voltando morto do abismo
crianças escangotadas, velhas corrompidas
línguas sangrando, carnes tenras distendidas
e hoje escrevo eu meu próprio catecismo:
prometo me vingar de todo riso e do Otimismo
se não lhe devolverem logo todas suas vidas
 
Prostro-me, Senhor, à hora turva das visitas
nesta oração  de um ateu apoteótico
é no meu anjo que empurram o antibiótico
de uma Ciência que Te queima as vistas
e se a vida me passou sem mais conquistas
que seja ela o meu último narcótico
 
IV – O TUBO
A máquina respira por Larissa
a máquina atormenta suas dores
presa a fios de computadores
e aos espíritos do mal que à mente atiça
o mundo todo há de faltar à sua missa
e nessa hora eu rezo todos meus horrores
 
por vê-la desejar a imensidão feérica
num túnel vil de corvos paralíticos
vítima de meus delírios cabalísticos
inocente mãe de minha vida histérica
- Se tem ela que sofrer, que Deus queime a América
antes que a ela queimem os meus dons apocalípticos
 
Prostro-me e Te peço que incendeie a Ásia
antes de avariar seu corpo primogênito
esse mal era meu, esse furor congênito
é uma herança de minha última eutanásia
da luta de um demônio contra sua amásia
da briga entre a dor e o horror do frêmito
 
Prostro-me, Deus, em minha única oração
na vida inteira, e louvo ao parricídio
que seja meu, não dela, esse dissídio
que ela comete em minha obsessão
de tê-la para sempre no meu coração
para que evitem hoje o meu último suicídio!

3 comentários:

  1. cunha santos.

    Larissa é imortal, sendo que DEUS é justo e bomnão nos condena às penas eternas, e as penas de Larissa são passageiras e ela te~´a como prêmio a única saída o AMOR universal que e´divino, acabo te dizendo que o erro dos homens minúsculos é cruzar os braços diante diante de coisas tão sperias enquanto JESUS o CRISTO, (UNGIDO) morreu de braços abertos para nos salvar das nossas mazelas espirituais, enfim LARISSA VIVE e se morresse no corpo estaria viva em espírito e amor.

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    1. Eu te agrdeço a fé que às vezes me falta na hora da dor e peço que se junte aos que oram peloa recuperação total de Larissa

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  2. cunha santos.

    Não msou profeta e nem adivinho, mas sei que o remédio muitas vezes é amargo, mas meu querido quando criança nossa querida mãe nos dava o remédio parar tomar e ficar curado e nós faziamos cara feia tapava o nariz e não queria tomar de jeito emaneira, mas é justamente isto, o remédio é amargo mas é bálsamo que cura nossas n]mazelas físicas e espirituais, muitas vezes fruto das nossa invigilancia na vida, tenha FÉpois só ela éo amor que transforma dor em fervor, perdão. Larrissa viverá sempre tenha FÉ, pois DEUS É AMOR E CURA.

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