JM
Cunha Santos
1
– A MACA
Prostro-me
aos Teus pés, prostro-me sentindo
que
os mares secam e se corrompe a sedução
se
ela viveu entre o amor e a inflamação
se
a filha toda que o tempo todo estou parindo
é
dona absoluta de uma alma que indo e vindo
não
quer seu corpo, quer apenas solidão
Livrai-a,
Senhor, da dor rasgada que reprime
no
berço infame da exclusão emocional
dessa
existência vil, desse estertor paranormal
de
quem morrendo tanto se tornou meu crime
de
quem se balançando ao fundo fosso da moral
tornou-se,
em mil governos, a suicida oficial
de
um parlamento que o silêncio oprime
Deus,
a minha santa engasgada está sofrendo -
-
morre só essa vez, filhinha, por favor, não morre mais -
e
prostro-me neste chão de barbitúricos letais
que
ela engoliu e me engoliu quase sabendo:
não
acabou, ainda hoje eu a estou fazendo
e
ela tem pressa de tornar-se nunca mais
2
– A AMBULÂNCIA
Ó
caleça maldita que buzina sofrimentos
e
degredados transporta a tantas Babilônias
São
seres vivos? Não são seres, são insônias
e
como Lara não suporta pensamentos
eis
que me esfolo por horror de seus tormentos
e
me adianto ao meu velório em cerimônias
Ó
carro de angústias que uiva na meia-noite
-
sangue de espírito escorre em minhas mãos -
também
eu uivo escravizado à obsessão
pelo
chicote, pela horror e pelo açoite
por
outro monstro a vigiar mais um pernoite
da
minha/dela extenuante compulsão
Prostro-me,
Senhor, ateu de todas as crenças
herege
em qualquer Olimpo, aleijado espiritual
o
sangue da alma é o nosso sangue natural
por
isso imploro que nos veja as diferenças
-
Outros castigos, outra sorte, outras sentenças
e
menos dores do que sente um ser normal
3
– A UTI
É
aqui neste hospital a Terra Prometida,
o
sótão de Caronte, o saguão de William Blake
é
aqui que reside o triste lobo da estepe
e
os que não viveram vem perder a vida?
-
Que se esbagace, pois, a alma mais sofrida
porém
no corpo dela outra dor jamais se estrepe
Eu
vi Voltaire voltando morto do abismo
crianças
escangotadas, velhas corrompidas
línguas
sangrando, carnes tenras distendidas
e
hoje escrevo eu meu próprio catecismo:
prometo
me vingar de todo riso e do Otimismo
se
não lhe devolverem logo todas suas vidas
Prostro-me,
Senhor, à hora turva das visitas
nesta
oração de um ateu apoteótico
é
no meu anjo que empurram o antibiótico
de
uma Ciência que Te queima as vistas
e
se a vida me passou sem mais conquistas
que
seja ela o meu último narcótico
IV
– O TUBO
A
máquina respira por Larissa
a
máquina atormenta suas dores
presa
a fios de computadores
e
aos espíritos do mal que à mente atiça
o
mundo todo há de faltar à sua missa
e
nessa hora eu rezo todos meus horrores
por
vê-la desejar a imensidão feérica
num
túnel vil de corvos paralíticos
vítima
de meus delírios cabalísticos
inocente
mãe de minha vida histérica
-
Se tem ela que sofrer, que Deus queime a América
antes
que a ela queimem os meus dons apocalípticos
Prostro-me
e Te peço que incendeie a Ásia
antes
de avariar seu corpo primogênito
esse
mal era meu, esse furor congênito
é
uma herança de minha última eutanásia
da
luta de um demônio contra sua amásia
da
briga entre a dor e o horror do frêmito
Prostro-me,
Deus, em minha única oração
na
vida inteira, e louvo ao parricídio
que
seja meu, não dela, esse dissídio
que
ela comete em minha obsessão
de
tê-la para sempre no meu coração
para
que evitem hoje o meu último suicídio!
cunha santos.
ResponderExcluirLarissa é imortal, sendo que DEUS é justo e bomnão nos condena às penas eternas, e as penas de Larissa são passageiras e ela te~´a como prêmio a única saída o AMOR universal que e´divino, acabo te dizendo que o erro dos homens minúsculos é cruzar os braços diante diante de coisas tão sperias enquanto JESUS o CRISTO, (UNGIDO) morreu de braços abertos para nos salvar das nossas mazelas espirituais, enfim LARISSA VIVE e se morresse no corpo estaria viva em espírito e amor.
Eu te agrdeço a fé que às vezes me falta na hora da dor e peço que se junte aos que oram peloa recuperação total de Larissa
Excluircunha santos.
ResponderExcluirNão msou profeta e nem adivinho, mas sei que o remédio muitas vezes é amargo, mas meu querido quando criança nossa querida mãe nos dava o remédio parar tomar e ficar curado e nós faziamos cara feia tapava o nariz e não queria tomar de jeito emaneira, mas é justamente isto, o remédio é amargo mas é bálsamo que cura nossas n]mazelas físicas e espirituais, muitas vezes fruto das nossa invigilancia na vida, tenha FÉpois só ela éo amor que transforma dor em fervor, perdão. Larrissa viverá sempre tenha FÉ, pois DEUS É AMOR E CURA.