Editorial
JP, 30 de dezembro
Será
um contra-senso e um golpe fulminante contra a população se a parceria entre o
governo do Estado e Prefeitura não for mantida depois que Edivaldo Holanda
Júnior assumir o cargo de prefeito. Bem poucas coisas deram tão certo e em tão
pouco tempo no meio desse aririzal político do Maranhão. O povo espera,
sinceramente, que diferenças político-partidárias e interesses pequenos e
dogmáticos não interfiram nesta ação pela saúde pública que hoje une o Estado e
a Prefeitura de São Luís.
Já
dissemos que a saúde pública é o maior desafio desse país. Um problema que não
foi solucionado no governo Fernando Henrique Cardoso, persistiu e se agravou no
governo Lula e se mantêm, apesar de todos os esforços, no governo Dilma. No
Maranhão, sem sombras de dúvidas que o secretário Ricardo Murad conseguiu mudar
essa realidade, com a inauguração de hospitais no interior do Estado, reformas
e construção de Unidades de Pronto Atendimento em algumas cidades e na capital.
Entretanto, São Luís era e ainda é o grande desafio da saúde pública no
Maranhão. A concorrência de ambulâncias chegando do interior, uma população de
mais de 1 milhão de habitantes, a falta de recursos, a superlotação de todas as
emergências e centrais de consulta, dentre outros fatores, fazem parte de um
histórico terrível de dor e desespero que jamais foi resolvido na capital. A
parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal de São Luís,
certamente em virtude de questões políticas supérfluas, infelizmente só
aconteceu no final do mandato do prefeito João Castelo e vai durar apenas uma
semana.
Mas
se o secretário de Saúde do Estado acena com a possibilidade de manter essa
parceria e se isso significa o fim dos socorrões superlotados, de doentes
gritando nos corredores dos hospitais à espera de atendimento médico, de
consultas marcadas para o ano seguinte, da procissão de ambulâncias apitando em
todas as direções; se significa pacientes bem tratados e bem alimentados,
esqueçam que existem partidos, grupos políticos, eleições e mantenham-se unidos
nesse propósito. Caso contrário, não poderão ser chamados de homens públicos.
O
que houve aqui foi vontade política. Digam dele o que disserem, que é um “trator”,
que é egocêntrico e concentrador, mas Ricardo Murad não costuma ser um político
de gabinete. Vira e mexe está visitando obras e hospitais, querendo entender
aquelas máquinas e equipamentos de última geração, conversando com os médicos,
indagando sobre o funcionamento das UTIs, cuidando, pessoalmente, da função que
lhe compete. E fez isto também esta semana nos hospitais municipais. Mas não
são as figuras do secretário da Saúde, do prefeito que sai e do prefeito que
entra o que importam neste momento. Há um povo lá fora que precisa ter um
problema secular resolvido e que já sabe que é possível resolver; há
ambulâncias gritando nas estradas e pessoas gritando dentro dessas ambulâncias;
há filas de pessoas de ossos quebrados esperando atendimento; há mulheres
grávidas à espera de um parto assistido e há crianças que não podem mais
esperar. Esta, senhores, não é uma questão política, é uma questão de
humanidade. Façam o que o povo espera. Não falhem com a saúde mais uma vez.
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