domingo, 30 de dezembro de 2012

A parceria

Editorial JP, 30 de dezembro

Será um contra-senso e um golpe fulminante contra a população se a parceria entre o governo do Estado e Prefeitura não for mantida depois que Edivaldo Holanda Júnior assumir o cargo de prefeito. Bem poucas coisas deram tão certo e em tão pouco tempo no meio desse aririzal político do Maranhão. O povo espera, sinceramente, que diferenças político-partidárias e interesses pequenos e dogmáticos não interfiram nesta ação pela saúde pública que hoje une o Estado e a Prefeitura de São Luís.
Já dissemos que a saúde pública é o maior desafio desse país. Um problema que não foi solucionado no governo Fernando Henrique Cardoso, persistiu e se agravou no governo Lula e se mantêm, apesar de todos os esforços, no governo Dilma. No Maranhão, sem sombras de dúvidas que o secretário Ricardo Murad conseguiu mudar essa realidade, com a inauguração de hospitais no interior do Estado, reformas e construção de Unidades de Pronto Atendimento em algumas cidades e na capital. Entretanto, São Luís era e ainda é o grande desafio da saúde pública no Maranhão. A concorrência de ambulâncias chegando do interior, uma população de mais de 1 milhão de habitantes, a falta de recursos, a superlotação de todas as emergências e centrais de consulta, dentre outros fatores, fazem parte de um histórico terrível de dor e desespero que jamais foi resolvido na capital. A parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal de São Luís, certamente em virtude de questões políticas supérfluas, infelizmente só aconteceu no final do mandato do prefeito João Castelo e vai durar apenas uma semana.
Mas se o secretário de Saúde do Estado acena com a possibilidade de manter essa parceria e se isso significa o fim dos socorrões superlotados, de doentes gritando nos corredores dos hospitais à espera de atendimento médico, de consultas marcadas para o ano seguinte, da procissão de ambulâncias apitando em todas as direções; se significa pacientes bem tratados e bem alimentados, esqueçam que existem partidos, grupos políticos, eleições e mantenham-se unidos nesse propósito. Caso contrário, não poderão ser chamados de homens públicos.
O que houve aqui foi vontade política. Digam dele o que disserem, que é um “trator”, que é egocêntrico e concentrador, mas Ricardo Murad não costuma ser um político de gabinete. Vira e mexe está visitando obras e hospitais, querendo entender aquelas máquinas e equipamentos de última geração, conversando com os médicos, indagando sobre o funcionamento das UTIs, cuidando, pessoalmente, da função que lhe compete. E fez isto também esta semana nos hospitais municipais. Mas não são as figuras do secretário da Saúde, do prefeito que sai e do prefeito que entra o que importam neste momento. Há um povo lá fora que precisa ter um problema secular resolvido e que já sabe que é possível resolver; há ambulâncias gritando nas estradas e pessoas gritando dentro dessas ambulâncias; há filas de pessoas de ossos quebrados esperando atendimento; há mulheres grávidas à espera de um parto assistido e há crianças que não podem mais esperar. Esta, senhores, não é uma questão política, é uma questão de humanidade. Façam o que o povo espera. Não falhem com a saúde mais uma vez.       

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