Quando facções criminosas
ousam se organizar para matar a polícia, revela-se um nível de desgoverno
inadmissível nas mais empobrecidas e atrasadas republiquetas do mundo.
JM
Cunha Santos
| Sargento Sá |
Permitiu
o governo do Estado que a crise na segurança pública se prolongasse
indefinidamente. Os sinais da crise, como o recrudescimento da violência na
capital, fugas de presos, rebeliões incontroláveis, motins, greves na Polícia
Militar, na Polícia Civil, fugas de presos, desleixo com o reaparelhamento das
forças policiais, ficaram tão evidentes quanto a inapetência governamental para
resolver o problema.
Enquanto
a segurança pública se desorganizava, o crime organizado se organizou a tal
ponto que em determinados momentos a população foi forçada a lidar com a
existência de um poder paralelo: o poder do crime. Bandidos de alta
periculosidade foram libertados para passeios noturnos nas ruas da capital, São
Luís se tornou uma das cidades mais violentas do mundo, os motins nas prisões
ofereceram o mais inesperado espetáculo de horror de sua história, com presos
jogando futebol com cabeças humanas, decapitações, esquartejamentos, na mais
próxima comparação com uma sucursal do inferno.
Crise
também de autoridade. A bandidagem passou a governar o crime de dentro do
Complexo Penitenciário de Pedrinhas e o terror se instalou no Estado. Tanta
licenciosidade, fotografada e filmada nas bombas incendiárias que fizeram o
povo correr e se esconder em São Luís, chega a seu limite agora. Os bandidos
parecem não mais temer a polícia ou, pior, estão atacando e matando policiais.
Dois foram mortos somente no último domingo, um deles, o sargento Sá, num
ataque planejado por facções criminosas.
É,
simplesmente, inacreditável! Que policiais morram em tiroteios com bandidos, é
o risco extremado da profissão que heroicamente escolheram. Mas quando facções
criminosas ousam se organizar para matar a polícia, revela-se um nível de
desgoverno inadmissível nas mais empobrecidas e atrasadas republiquetas do
mundo.
A
sociedade que se cuide, que se esconda. Se os bandidos já não temem matar os
homens da lei, sobra apenas a conclusão de que estamos nas mãos de Deus!
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