segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CAÇADA AOS HOMENS DA LEI

Quando facções criminosas ousam se organizar para matar a polícia, revela-se um nível de desgoverno inadmissível nas mais empobrecidas e atrasadas republiquetas do mundo.

JM Cunha Santos


Sargento Sá
Permitiu o governo do Estado que a crise na segurança pública se prolongasse indefinidamente. Os sinais da crise, como o recrudescimento da violência na capital, fugas de presos, rebeliões incontroláveis, motins, greves na Polícia Militar, na Polícia Civil, fugas de presos, desleixo com o reaparelhamento das forças policiais, ficaram tão evidentes quanto a inapetência governamental para resolver o problema.

Enquanto a segurança pública se desorganizava, o crime organizado se organizou a tal ponto que em determinados momentos a população foi forçada a lidar com a existência de um poder paralelo: o poder do crime. Bandidos de alta periculosidade foram libertados para passeios noturnos nas ruas da capital, São Luís se tornou uma das cidades mais violentas do mundo, os motins nas prisões ofereceram o mais inesperado espetáculo de horror de sua história, com presos jogando futebol com cabeças humanas, decapitações, esquartejamentos, na mais próxima comparação com uma sucursal do inferno.

Crise também de autoridade. A bandidagem passou a governar o crime de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas e o terror se instalou no Estado. Tanta licenciosidade, fotografada e filmada nas bombas incendiárias que fizeram o povo correr e se esconder em São Luís, chega a seu limite agora. Os bandidos parecem não mais temer a polícia ou, pior, estão atacando e matando policiais. Dois foram mortos somente no último domingo, um deles, o sargento Sá, num ataque planejado por facções criminosas.     

É, simplesmente, inacreditável! Que policiais morram em tiroteios com bandidos, é o risco extremado da profissão que heroicamente escolheram. Mas quando facções criminosas ousam se organizar para matar a polícia, revela-se um nível de desgoverno inadmissível nas mais empobrecidas e atrasadas republiquetas do mundo.

A sociedade que se cuide, que se esconda. Se os bandidos já não temem matar os homens da lei, sobra apenas a conclusão de que estamos nas mãos de Deus!

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