Relatório policial
destaca indícios de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, fraude a licitações,
falsidade ideológica e uso de documento falso em atuação de diretores e sócios
de construtoras
Veja on line
A Polícia Federal começou
a entregar à Justiça relatórios em que indicia executivos de
empreiteiras investigados na Operação Lava Jato. Foram indiciados cinco
suspeitos da construtora OAS, dois da Queiroz Galvão, quatro da Mendes
Júnior e um da Galvão Engenharia. Eles fazem parte do grupo de 20 diretores,
sócios e funcionários de oito construtoras presos na sétima fase
da operação, por fraude de licitações da Petrobras e por corromper funcionários
públicos e políticos. Também foi indiciado o lobista Fernando Soares, conhecido
como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB na Diretoria Internacional
da ESTATAL
.
Da OAS, foram indiciados
José Ricardo Nogueira Breghirolli, Agenor FRANKLIN
Magalhães
Medeiros, José Aldemário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e
Alexandre Portela Barbosa. Desses cinco, apenas Barbosa foi solto. Da Queiroz
Galvão, Othon Zanóide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho foram autuados
e respondem ao inquérito em liberdade. Da Galvão Engenharia, Erton Medeiros da
Fonseca foi indiciado e ainda está preso na carceragem da Polícia Federal em
Curitiba (PR). Da Mendes Júnior, foram autuados Flavio Sá Motta Pinheiro,
Rogerio Cunha de Oliveira, Angelo Alves Mendes e Sergio Cunha Mendes, sendo que
apenas este último está preso.
Todos os executivos foram
indiciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, fraude a licitações,
falsidade ideológica e uso de DOCUMENTO
falso.
Somados, os crimes preveem até 31 anos de prisão e multa. Já o lobista Fernando
Baiano foi indiciado por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de
dinheiro e participação em organização criminosa.
No relatório no qual
comunica os indiciamentos, a delegada Erika Marena destacou que as construtoras
fizeram pagamentos indevidos às empresas de fachada controladas pelo doleiro
Alberto Youssef, pivô do esquema de lavagem, em troca de facilidades da
Petrobras. "O esquema criminoso vinha sendo bem sucedido em razão de a ele
terem aquiescido uma série de personagens, desde os 'meros' courriers até os
grandes pagadores de propinas, cujo objetivo era a obtenção de facilidades nos
contratos com a Petrobras", destacou a Polícia FEDERAL
.
Para colocar em prática o
esquema de corrupção na ESTATAL
, os policiais lembraram que foram
utilizadas contas bancárias em nome de laranjas, "fluxo mascarado de
dinheiro", celebração de contratos fictícios e doleiros para remeter
pagamentos no exterior. Também foram constatados indícios de que houve
combinação prévia para fraudar a concorrência em licitações da Petrobras.
A polícia lembrou ainda
que Fonseca, da Galvão Engenharia, confessou os pagamentos, embora tenha
alegado que foi vítima de extorsão. O executivo apresentou um novo operador,
desconhecido pelos investigadores: Shinko Nakandakari, ligado ao PT.
A delegada lembrou que não
houve tempo de analisar o material apreendido nas residências dos suspeitos e
nas sedes das empreiteiras. Mas alguns DOCUMENTOS
foram
destacados, como as anotações da OAS que indicam a entrega de presentes para
políticos e funcionários públicos. "Dentre o material apreendido no
cumprimento das medidas judicialmente autorizadas, destaca-se a vasta lista de
pessoas que a OAS procurava agradar com presentes e lembranças de aniversário,
notadamente políticos e servidores públicos", diz o relatório.
Formalmente, os
indiciamentos significam que, para a PF, há indícios suficientes para o
Ministério Público denunciá-los pelos CRIMES
mencionados,
mas os procuradores da República têm autonomia para fazer as acusações penais.
O Ministério Público deve apresentar denúncias contra os executivos até o fim
desta semana.

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