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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Prazer demais acaba em dor

JM Cunha Santos
                              


Prazer demais acaba em dor
Não devo esquecer o sofrimento desses dias
Do silêncio dentro dos fantasmas
Das viagens sem volta
Da luxuria esgotando até a alma dos pelos
Dos ninguéns que me insultam no meu leito de morte
Enquanto os carros buzinam longe em comemoração

Prazer demais acaba em dor
Não devo esquecer as horas detidas pela noite interminável
Do meu espírito engolido por danações na minha cama
Dos cães com sangue na boca pulando entre as paredes
Enquanto poderosos tiranos pisavam dentro de mim

Prazer demais acaba em dor
E não tem direito de gritar quem feriu a si mesmo
Quem escolheu-se tartufo, bufão e deu descarga na vida
Enquanto lá fora a turbamulta lhe tomava todas as orações

Prazer demais acaba em dor
Não devo esquecer a agonia dessas horas pânicas
O falecimento dentro de ventre materno
A carne desumana desamparada
O assalto ao trem pagador de pecados
A insistência que vive
Para que riam como hienas os donos da minha solidão

Prazer demais acaba em dor
Prazer demais acaba em dor
Até que seja a dor o meu único prazer

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