Na madrugada desta terça (5), a partir de 1h35, a Paraíso do Tuiuti
entrará na Marquês de Sapucaí com o enredo "O Salvador da Pátria";
trata-se de uma bela e contundente homenagem Lula; o carnavalesco da
escola, Jack Vasconcelos, antecipar o que será o desfile: “Vocês que fazem
parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo,
baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais"
247 - O Carnaval de 2019 ainda está
em pleno curso mas já se sabe que passará à história como a celebração da
repulsa do povo brasileiro ao governo de Jair Bolsonaro e do desejo de ver Lula
Livre. Na madrugada desta terça (5), a partir de 1h35, a Paraíso do Tuiuti
entrará na Marquês de Sapucaí com o enredo "O Salvador da Pátria".
Trata-se de uma homenagem ao ex-presidente, com paralelismo com sua história de
vida -nos tempos obscuros de um regime neofascista, os compositores da escola
foram prudentes e não mencionaram o nome de Lula.
A Tuiuti foi vice-campeã no desfile de 2018, com o enredo "Meu
Deus, Meu Deus! Está extinta a escravidão?" que denunciou o racismo no
país e fez uma crítica mordaz ao golpe contra Dilma. No desfile, um destaque da
escola, o professor de história Leonardo Morais, de 40 anos, apresentou-se como
"vampirão neoliberalista", com uma fantasia com terno, faixa
presidencial e uma
O carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos, antecipou assim o que o Brasil
verá e escutará nesta madrugada: “Vocês que fazem parte dessa massa irão
conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre,
amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a
virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!”.
A letra tem trechos todos inspirados por dois momentos marcantes da vida
de Lula, sua jornada de retirante e sua eleição à Presidência como expressão da
vitória do povo sobre os "dotô" (as elites):
Do nada um bode vindo lá do interior
Destino pobre, nordestino sonhador
Vazou da fome, retirante ao Deus dará
Soprou as chamas do dragão do mar
(...)
Ora meu patrão!
Vida de gado desse povo tão marcado
Não precisa de dotô
Quando clareou o resultado
Tava o bode ali sentado
Aclamado o vencedor
O bode ao qual se
refere a letra é o bode Ioiô, personagem real das ruas de Fortaleza, onde
chegou pelas mãos de um retirante que fugia de uma grande seca no interior
cearense, em 1915. Carismático e popular, Ioiô perambulava pelas ruas da
capital. Fazia diariamente o mesmo trajeto, da Praia do Peixe (hoje Praia de
Iracema) à Praça do Ferreira; ao cair da tarde, voltava pelo mesmo caminho —
daí o nome Ioiô. Fez muitos amigos, entre eles poetas e intelectuais, com os
quais levava uma vida boêmia regada a muitas doses de cachaça. No auge da fama,
Ioiô foi eleito para a Câmara de Vereadores, em 1922 — tempo em que as cédulas
eram pedaços de papel escritos à mão –, mas levou um "golpe" da elite
fortalezense e teve sua eleição impugnada. É no paralelismo entre o bode e Lula
que está a marcada poética dos compositores láudio Russo, Moacyr Luz, Dona
Zezé, Jurandir e Aníbal.

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