
A elevação do indicador de transmissão de coronavírus, nos últimos dias, acompanha o preocupante quadro de crescimento de casos registrado em grande parte do país. Ainda que estejamos mantendo a estabilidade na quantidade de óbitos no Maranhão, a tendência de alta em quase todos os estados acende um alerta.
Seguimos monitorando o uso de leitos exclusivos
para pacientes com coronavírus, dos quais temos atualmente a média de 30% de
leitos de UTI e 19% dos leitos clínicos ocupados. Preocupa-nos o crescimento,
mas, atualmente, ainda temos uma situação de equilíbrio entre leitos
disponíveis e demanda existente, o que não significa que devemos descuidar do
principal, que é manter a prevenção, respeitar as medidas farmacológicas
cientificamente comprovadas e, por óbvio, priorizar a temática da vacina e o
necessário processo de vacinação.
Nesse sentido, destaco que a Lei nº 6.259/1975 determina,
em seu artigo 3º, que “Cabe ao Ministério da Saúde a elaboração do Programa
Nacional de Imunizações, que definirá as vacinações, inclusive as de caráter
obrigatório”, ou seja, o desenvolvimento de um plano que viabilize a vacinação
em todo o território brasileiro é atribuição do Governo Federal.
A tentativa inicial do Ministério da Saúde em
avançar na temática, durante reunião com Governadores no mês de outubro, foi
frustrada pelo presidente da República no dia seguinte. Um acordo para
aquisição de 46 milhões de doses das vacinas produzidas pelo Instituto
Butantan, entidade secular e reconhecida mundialmente, foi cancelado, de forma
infundada e politiqueira. O país retornou à estaca zero.
E assim seguimos, de forma inacreditável, sem
nenhuma vacina em nosso país, até o presente momento. Uma inércia inaceitável
na atual situação que assola o Brasil, em clara evidenciação da falta de
humanidade e responsabilidade da presidência da República quanto à defesa da
vida e da saúde do povo brasileiro.
Aqui no Maranhão, mais uma vez optamos pelo caminho
da sensatez. Considerando a indicação do Instituto Butantan em liberar uma
vacina no mês de janeiro, manifestamos interesse de adquiri-las em tantas doses
quanto estiverem disponíveis, a fim de atender ao máximo as necessidades do
Maranhão. E estamos cobrando do Governo Federal que se ocupe na construção e
execução do Plano Nacional de Imunização em combate à Covid-19. Quanto a este
último item, tenho formulado diversas sugestões, entre as quais a fabricação de
vários tipos de vacina no Brasil, em vez de o Governo Federal ficar esperando
produto de um único laboratório – um erro crasso.
Enquanto todas essas medidas ainda não nos garantem
avançar concretamente, ingressamos com ação judicial no Supremo Tribunal Federal
(STF) contra o Governo Federal, a fim de assegurarmos duas questões cruciais: a
autorização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para
aquisição de vacinas com segurança e eficácia garantidas e o acesso ao suporte
financeiro, uma vez que esta é uma obrigação do Governo Federal sendo assumida
pelo Maranhão.
Estamos com diversas frentes de ação com um
objetivo único: salvaguardar a saúde da nossa sociedade. Asseguro a todos os
maranhenses que manteremos o trabalho firme, sério e consistente em direção à
obtenção da vacinação, assim como de todas as demais medidas que sejam eficazes
para preservar a vida da população. Este é um compromisso inegociável.
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