JM Cunha Santos
1 – Eros Grau/Freud
Nunca tive nenhuma dúvida de que o ministro Eros Grau é doido. Não sou jurista, mas dá para perceber no hermetismo que aplica em questões cruciais para a Nação, para os Estados e para a Constituição Federal que ele enfrenta pelo menos uma meia dúzia dos postulados de Sigmund Freud.
Freud não explicaria, por exemplo, a pusilânime cassação de Jackson Lago, nem tampouco o prolixo arrazoado, com grau de perturbação mental, em torno do processo do italiano Cezzare Battisti. É de fundir a cuca. E parece que o Eros Grau vai deixar o STF sem conseguir, através da influência de José Sarney, a almejada cadeira na Academia Brasileira de Letras. Tem doido sobrando no ano velho.
2 – VEJA O MST
O ódio que a revista Veja devota ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pende para os paroxismos de Carlos, o Louco, rei da França. A revista tem acessos de fúria quando se refere ao Movimento.
Na última, ao divulgar uma pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura sobre os Sem Terra, apoiada em reportagem visivelmente tendenciosa, assinada por um jornalista legivelmente desequilibrado, Felipe Patury, fulmina a Teologia da Libertação. Os membros do MST são tratados na matéria como bandidos, baderneiros e assassinos. Sobre a Chacina de Eldorado de Carajás, diz que o MST sacrificou, propositalmente, os 19 membros mortos em confronto com a polícia do Pará. Tem doido sobrando no ano velho.
3 - O PT de Sarney
O Partido dos Trabalhadores do Maranhão decidiu, eleitoralmente, entrar para a História como principal comparsa de Sarney. Coisa de Mustafá I, um rei maluco do Império Otomano que se divertia jogando seus tesouros pela janela.
Só que os tesouros do PT, até então, eram a ética, o combate à corrupção, os movimentos sociais, o desenvolvimento sustentável etc. Tudo isso - para usar a lógica semântica do presidente Lula - foi para a estratosfera. O PT, incondicionalmente, em troca de alguns milhões de reais e alguns vôos rasantes nos helicópteros do governo, cedeu ao vampirismo da governadora Roseana sobre os partidos políticos maranhenses. Vampirismo só comparável ao do rei Vlad III, da Valáquia, que inspirou o escritor Bram Stocker a criar o sanguinolento Conde Drácula. Está sugando o Partido dos Trabalhadores na veia jugular.
Se alguém, fora desse espaço maranhense, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, ler essa nota, por mais incrível e bizarro que pareça, pode acreditar: existe um PT de Sarney.
Tem doido sobrando no ano velho.
4 - Corruptos e loucos
Houve um tempo em que os loucos não eram confinados. Ensina Michel Focault que a lepra desapareceu do mundo ocidental no final da Idade Média, sendo sucedida pela loucura. Mas só dois séculos depois esse novo tormento criaria reações de segregação, exclusão e purificação. Será que os corruptos de hoje são loucos, ou estão ficando loucos? Devem ser segregados, excluídos ou purificados à moda antiga?
Observe-se que os principais sintomas do fanatismo religioso são orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios. Depois daquela oração do DEM em Brasília, feita por gente que adora fazer discurso e peregrina constantemente pelos cofres públicos, não se dirá mais que a corrupção não é uma espécie de loucura. Sem contar que deve ser um verdadeiro martírio carregar uma montanha de dinheiro nas cuecas. Acredito piamente que os ovos padecem muita privação.
5 – Loucuras incomparáveis
Galilei (que nome louco) foi considerado maluco ao afirmar que a terra se movia; Cristóvão Colombo quase foi confinado por achar que a terra era redonda; Louis Pasteur foi tratado como doido de pedra ao comunicar que as doenças se deviam a microorganismos transportados pelo ar; E Charles Darwin é louco até hoje por conta da Teoria da Evolução.
Significa, talvez, que ser ou não ser louco depende da época, do lugar e das circunstâncias em que você habita. Eu mesmo me sinto quixotesco quando percebo que estou lutando contra moinhos de vento, tal o Cavaleiro de La Mancha. Mas creio que esta minha loucura é a loucura de muitos brasileiros que não usam super-cuecas nem sabem rezar.
Como se vê, as loucuras não são comparáveis. Não se pode dizer que o Marquês de Sade e Artaud são perfeitamente comparáveis em delírios com Henry Lee Lucas, que matou 200 pessoas ou Harold Chapman, serial killer que eliminou 215 da face da terra ou mesmo a Jack, o estripador. Por isso, antes que o meu transtorno bipolar se acentue mais ainda e eu resolva tomar o primeiro gole do natal e do reveillon, fica a pergunta: quantas pessoas a corrupção mata por ano?
Tem doido sobrando no ano velho. E muito mais doido ainda chegando para o ano novo.

Meu querido Cunha Santos: como não sei comentar assuntos da política brasileira, passei para lhe desejar um feliz ano novo.
ResponderExcluirBJS de
LUSIBERO
Olá td legal? Olha só estou passando para desejar-lhe um otimo 2010 e convidá-la a conhecer meu blog o Ecos no endereço WWW.ECOSDOTELECOTECO.BLOGSPOT.COM .Grande abraço e sucesso aí!
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