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domingo, 17 de maio de 2015

Educação Profissional e desenvolvimento

Por Flávio Dino


Entre os muitos direitos negados por décadas a milhares de jovens maranhenses figura o acesso à educação profissional e tecnológica. Somente em uma fase recente, com a valiosa expansão do Instituto Federal (IFMA), os jovens maranhenses puderam ter esse direito mais respeitado. Em reconhecimento a esse grande trabalho em favor do Maranhão, faço questão de começar esse artigo com a minha homenagem à comunidade acadêmica do IFMA, bem representada pelo Reitor Roberto Brandao.
Contudo, nosso Estado, com grande extensão territorial, não pode ser coberto apenas por uma rede federal de educação profissional. Sempre me impressionei com a omissão do Governo do Estado em atuar no setor, e daí sempre pensei em poder cuidar do assunto. Esse desejo foi ainda mais reforçado com as lágrimas de uma jovem moradora da Cidade Olímpica, que me transmitiu a enorme frustração familiar por ela não ter conseguido uma das cobiçadas vagas do IFMA. Ao mesmo tempo, por onde passei na campanha eleitoral, via o imenso orgulho de pais e mães quando me diziam que seus filhos estavam estudando no IFMA.
Deus permitiu que o povo maranhense me encarregasse da honrosa missão de governar o nosso Estado, por 4 anos. Em meio ao caos que herdamos do tenebroso passado oligárquico, precisamos estabelecer prioridades para melhorar a vida do povo. E assim resolvemos criar uma rede estadual de educação profissional e tecnológica, adotando o nome IEMA, sugerido pelos companheiros do PPS. O início da concretização desse sonho será amanhã, quando estarei na cidade de Estreito, para receber o primeiro terreno onde será construído o IEMA daquela cidade.
Depois de anos de abandono, o Maranhão acabou ficando na lanterna do acesso ao Ensino Superior e Profissionalizante, apesar do aumento na oferta de vagas para formação universitária no país. Apenas 5% da população com mais de 25 anos possui grau superior – metade da média nacional, que é de 11%, segundo dados do Censo. A falta de oportunidade de formação profissional incide em um dado alarmante, divulgado no início do mês pelo IBGE, que mostrou que o trabalhador maranhense possui a menor renda média do país, R$ 921. A título comparativo, os trabalhadores dos estados vizinhos Piauí e Ceará possuem renda mensal de R$ 1.122 e R$ 1.137, respectivamente.
A criação do IEMA, nos moldes do IFMA, é um dos projetos prioritários para nosso desenvolvimento nos próximos quatro anos, porque entendemos que a qualificação e a formação para o mercado de trabalho interferem positivamente na melhoria da vida da nossa população. Com acesso à educação profissional e tecnológica, jovens e adultos do Maranhão poderão criar seus próprios empreendimentos ou pleitear espaço no mercado de trabalho mais capacitados e mais competitivos.
Abrangendo todas as regiões do Estado, distribuímos a construção dos novos prédios que serão o espaço para estudos e vivência dos jovens em 23 municípios do Maranhão. Em cinco deles, reformaremos ou concluiremos obras para que já em 2016 possamos dar início às aulas dos novos cursos. Em São Luís, por exemplo, reformaremos o prédio do antigo Colégio Marista no Centro – que atenderá a tal finalidade. São José de Ribamar, Pindaré Mirim, Bacabeira e Axixá também possuem prédios que precisam passar por adaptações até o início de 2016, quando começarão as aulas. O IEMA também estará presente, até 2017, em Coroatá, Chapadinha, Bacabal, Santa Luzia, Balsas, Carutapera, Coelho Neto, Colinas, Cururupu, Dom Pedro, Imperatriz, Matões, Paço do Lumiar, Presidente Dutra, Santa Helena, São Vicente Ferrer, Tutóia e Vitória do Mearim, além de Estreito, cujas obras lançaremos amanhã junto com a população.
Cada um dos IEMAs terá entre 10 e 12 salas de aula, contando também com 8 laboratórios, biblioteca, auditório, refeitório, ginásio poliesportivo e área de vivência. Toda essa estrutura vai estar disponível nos fins de semana para as comunidades, que vão se beneficiar de um equipamento público de qualidade.
Esse é mais um exemplo do Maranhão que vai dar certo, sem olhar para o passado. Afinal, chega de ser estátua de sal, destino da mulher de Ló e de todas as viúvas dos privilégios de casta – que já não existem.

2 comentários:

  1. Penso que nós, professores da rede estadual, precisamos nos organizar no sentido de examinar e discutir essas políticas voltadas para a educação do nosso estado pela ótica da mudança propagada pelo governo. Isso deve ser visto inicialmente com preocupação, pois é exatamente o que está acontecendo: estão concentrando os esforços na criação dos IEMA's como se tal ação fosse resolver todas as mazelas do Maranhão. Da mesma forma, penso ser esta uma iniciativa acertada,mas que apenas resolverá(?) minimamente a questão de falta de qualificação de muitos jovens que saem da educação básica sem uma perspectiva real de inserção no mercado de trabalho. Por outro lado, esquecem-se, por exemplo, que entre as possibilidades de oferta da educação profissional, além da concomitante, há também a integrada e a subsequente, e que em todas elas perpassa o curriculo da base comum. Acredito que, antes de implementar qualquer política para educação profissional, deveria reestruturar a educação básica, mais precisamente o ensino médio, que é de responsabilidade do estado. A impressão que tenho é que, mais uma vez, esta etapa da educação escolar está sendo negligenciada. Uma política séria que de fato se preocupasse em corrigir os erros das gestões anteriores concentraria seus esforços em reestruturar o ensino regular, fazendo os investimentos necessários visando a qualidade da educação oferecida, só então implementaria uma política de educação profissional. Vejo que a grande preocupação, neste momento, é de "dar uma satisfação" do que necessariamente oferecer oportunidade de mudanças de fato. Enfim, precisamos de uma mobilização em massa para discutirmos essas questões, pois acredito que as decisões referentes às mudanças na educação como um todo precisam ser socializadas e ter a participação dos PROFESSRES na construção de uma proposta realmente viável e acertada para a melhoria da qualidade da educação.

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  2. A criação desses IEMA's será mais uma demonstração da continuidade do descaso com a Educação Básica e o futuro dos filhos dos trabalhadores, pois ao investir nesses institutos, o Governo deixa de oferecer vagas nas universidades estadual e federal e se omitirá de maiores investimentos nessas, levando os jovens de classe popular à procura pelo Técnico, que é uma necessidade imediata do capitalismo pela mão-de-obra barata, mais não totalmente desqualificada. E assim, o Governo cinicamente cria a ilusão de que está trazendo mudanças para a vida de milhares de jovens sem perspectivas de futuro e não os deixa perceber que um técnico tem um salário bem menor, e o que é pior, ainda, esses institutos não abarcará todos na ofertas de vagas.

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