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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Meu ajuste fiscal

JM Cunha Santos


O governo pede a colaboração dos brasileiros para vencer a crise, enquanto promove o mais violento ajuste fiscal. Como bom patriota, mas preocupado também com o meu próprio desajuste econômico, resolvi colaborar.
Cortei o sabonete. O sabonete, o sabão em pedra, o detergente, o desodorante, o perfume e tudo o mais que lembre lavagem que não estou a fim de ir parar na cadeia.
Para economizar água, só tomo banho em meses que não tem a letra O. Também não bebo mais cerveja. É um desperdício todo mundo na maior "água", quando falta água nas torneiras do Brasil.
Colaborando com o esforço concentrado do Congresso Nacional, terceirizei o almoço. Só almoço em casas de parentes e amigos.
Não compro mais jornais. Só leio as manchetes. De longe, muito longe, para economizar revolta.
 Deixei de estudar. Cinco anos numa faculdade é muito tempo para não conseguir ganhar, durante o resto de minha vida, o que Roseana ganhou em uma única noite no Hotel Luzeiros e Lobão com uma simples raspadinha nas Ilhas Cayman.
O governo precisa de energia. De minas e energias. Por isso não acendo lâmpadas nem ligo mais televisão na minha casa. Engomar roupa, nem pensar.
Não vou mais na feira. Em tempos de recessão, a compulsão por comprar alimentos contribui para o inchaço da espiral inflacionária.
Cortei o creme dental. É muito refrescante para um povo que está metido na maior boca quente.
Cortei a carne. Sexo só em casa e nunca no aniversário da mulher.
Como estão falando em cobrar imposto sobre fortunas, tirei meus R$ 500 da poupança, que não sou besta.
Não dou mais esmolas. E também não peço porque não adianta.
Cortei o sal. O preço está muito salgado.
Cortei o açúcar. O preço é amargo.
Cortei a gasolina. Estou usando no meu carro o óleo de peroba PT, que é muito mais econômico.
Minha contribuição para o ajuste é tão positiva que demiti a empregada e contratei um serial killer. Com essa crise, ter tantos filhos e netos querendo estudar em escolas particulares e passear no shopping é crime contra a economia.
Fiz tudo isso porque também a minha dívida é pública. O que mais tem na porta lá de casa é cobrador gritando: Me paga, caloteiro!
E como fui a uma manifestação e lá ouvi as pessoas dizendo que no Brasil está tudo uma merda, cortei o papel higiênico.

E é essa a minha contribuição, que não ser muito cheirosa, mas é de coração. E fica como sugestão para que outros brasileiros colaborem com o ajuste fiscal. 

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